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domingo, 18 de abril de 2021

O dia em que fui abordado de forma muito truculenta pela PM

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Senhoras e senhoras, começarei esse texto avisando que eu não acho que todos os policiais militares são truculentos, mas existem membros em todas as forças policiais que são sim desnecessariamente truculentos e desproporcionais na hora de abordar qualquer pessoa. Esse foi o caso que aconteceu comigo, e que contarei a vocês.

Nos é ensinado na academia que o momento da abordagem é um momento crítico. Você não sabe quem está sendo abordado, e não está escrito na testa de ninguém se é ou não bandido. Então, no primeiro contato com os abordados, o policial deve ser mais enérgico e firme no que está fazendo, para caso haja qualquer reação, ele esteja pronto para agir sem perder tempo. É muito importante não acomodar e achar que ninguém vai reagir a uma abordagem policial. Temos vários exemplos de policiais mortos ou feridos nas mais diversas situações de abordagem pelo nosso país e pelo mundo.

A academia de Jiu-jitsu ficava a uns 500 metros da minha casa. Era uma academia de bairro, localizada em um conjunto de casa. Essa região era conhecida por assaltantes oportunistas, que são aqueles que não podem ver alguém vacilando na rua, que vão lá fazer seu corre, normalmente numa motocicleta e armados, para pegar um celular ou algum dinheiro. Por esse motivo eu preferia ir de carro, mesmo sendo muito próximo à minha residência.

Nesse dia, peguei meu kimono, entrei no carro e fui treinar, como fazia normalmente em todos os outros dias. Estacionei quase em frente a academia. Antes de descer do carro, olhei bem para os lados, atento para ver se não vinha nenhum desse oportunistas de moto me assaltar. Sai rapidamente, tranquei o veículo com o controle remoto e entrei na academia. Fiz a aula normalmente. Começava por volta das 19h30min e durava até 21h, alguns dias até 21h30min.

Quando eu sai da academia, notei que havia duas viaturas da Polícia Militar no começo da rua, uns 30 metros de onde eu tinha estacionado. Fiquei até mais tranquilo, já que com a presença da PM dificultaria a ação, naquele momento, de qualquer um que quisesse me fazer algum mal. Nesse dia eu daria carona para um amigo do jiu-jitsu, que também morava próximo, mas era perigoso para ele ir a pé, principalmente sozinho.

As roupas que estávamos vestindo era somente a calça do kimono. Ambos estávamos sem camisa, já que meu carro não tinha banco de couro, e o Uwagi (parte de cima do kimono) estava ensopado de suor, e também fazia muito calor. Estávamos no norte do Brasil, academia sem ar-condicionado e tivemos, como sempre, um treinamento intenso. Resultado disso: muito suor e calor. Estou contando os detalhes das vestimentas porque isso vai ser importante durante a abordagem.

Fui para o meu carro, que estava estacionado de ré em relação às viaturas. O meu amigo sentou no banco do carona. Eu, com preguiça de fazer a volta com o veículo, resolvi segui de ré pela rua, já que próximo de onde as viaturas estavam tinha um cruzamento, e seria muito mais fácil manobrar, já que a rua era bem estreita e tinha calçadas muito altas.

Quando eu estava quase chegando ao cruzamento, uma viatura se mexeu e encostou atrás do meu carro, impedindo que eu entrasse de ré no cruzamento. Pensei: porra, esse cara não viu que eu estava saindo da rua? Custava ele esperar um pouco até eu manobrar? Achando que a intenção dele era entrar na rua e vendo que a viatura não conseguiria passar, pois meu carro atrapalhava, já que tinha um carro estacionado ao lado, em paralelo ao meu, avancei um pouco, para dar passagem.

Foi quando ele encostou novamente atrás. E eu, na minha mais doce inocência, pensei: Caralho, esse cara é burro. Não viu que já dava pra passar! Então fui novamente um pouco para frente, ficando bem em frente a academia de jiu-jitsu, no mesmo lugar onde estava estacionado momentos antes. E novamente eles encostaram. Foi quando eu notei que tinha algo errado, e o carona falou: cara, acho que eles querem que a gente desça do carro.

Nesse momentos eu olhei pela janela do motorista, e vi quatro policiais apontando fuzis e pistolas para meu carro, gritando e xingando, para que eu descesse e colocasse as mãos para cima. Nessa época eu não era policial, e nem sequer já tinha atirado ou tinha qualquer intimidade com qualquer tipo de arma. Fiquei muito nervoso com a situação. Nervoso de medo.

Os caras gritavam: "desce filho da puta, desce com a mão na cabeça, seu filho da puta". Eu falei: "calma irmão, tô..." Quando fui interrompido: "cala a boca, seu merda. Cala a boca. Desce todo mundo."

Nessa hora estava eu e o colega já fora do carro, encostados no veículo com as mãos sobre o teto. As armas continuavam apontadas. Os dois PMs que não estavam de armas longas se aproximaram, um de mim e outro do colega, e começaram a nos revistas. Lembram como estávamos vestidos? Pois é, não tinha nem como escondermos qualquer tipo de arma. Mas até aí, tudo bem. Trabalho deles.

Nessa hora, como estávamos bem em frente a academia de jiu-jitsu, o mestre e os colegas de treino foram aparecendo e ficaram observando aquela abordagem. O mestre tentou falar que tínhamos acabado de sair do treino, quando foi interrompido com um cala boca.

Mandaram o carona ficar de frente para o muro, e me pediram para acompanhar a revista no veículo. Nessa hora eu falei que eles podiam baixar as armas, que não tínhamos armas e que não precisavam ficar nervosos, pois não éramos ameaça. Foi quando um deles retrucou gritando: "ninguém está nervoso aqui não". Eu falei: "eu estou, tem um monte de arma apontada para mim".

Voltando às técnicas de abordagem. Nós não representávamos mais ameaça. Eles podiam diminuir o grau de intensidade e de energia da abordagem. Poderiam parar de apontar as armas, nos deixando mais tranquilos. Você evolui a energia da abordagem de acordo com os abordados. É assim que é ensinado na academia. Acho que eles tinham esquecido.

Lembro ainda de o colega que estava encostado no muro virar para olhar o procedimento, quando foi repreendido, sem nenhuma necessidade, também com gritos: "encosta no mudo, filho da puta, não vira, põe a mão na cabeça!”. Cara, não tinha motivo nenhum de fazer isso, nós estávamos extremamente passivos e obedientes.

Nessa época eu já havia feito o concurso para perito da Polícia Civil do meu estado, e estava aguardando o resultado da prova. Mas pensava o tempo todo: como eu queria, naquele momento, já ser policial e poder me identificar para acabar com aquela abordagem desnecessariamente truculenta.

Então, quando o policial ia começar a revistar meu carro, um amigo do jiu-jitsu que estava assistindo àquilo tudo, e também era PM, chamou o chefe da guarnição, se identificou e falou que nós tínhamos acabado de sair do treino. Nessa hora o PM chefe me chamou e falou: agradece ao teu amigo ali, senão isso aqui ia ser muito pior.

Eu fico imaginando que pra ser pior que aquilo, só se eles nos batessem ou atirassem. Não entendi o motivo da abordagem tão truculenta até hoje. Para que eu teria ido em direção às viaturas se eu tivesse algo a temer? A rua tinha saída para o outro lado, caso eu quisesse fugir. Além de tudo, não me pediram nenhum documento, e todos eles estavam sem os nomes na farda.

Eu não fiquei traumatizado, mas fiquei bem aborrecido e um pouco triste. Remoí isso por algumas semanas. Acredito que não seja necessário esse tipo de atitude de nenhuma força policial. Abordar de forma firme sim, truculenta, jamais.

Comente aí se você já foi abordado assim por alguma força policial e qual foi sua reação!

ps.: Não esqueçam de seguir no Instagram: @apfdonorte. Lá eu sempre interajo com os leitores e amigos.

pps.: Já comprou o livro? Basta clicar aqui!

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Por que eu troquei a PRF pela PF

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Senhores, esse é um relato com a minha única e exclusiva opinião. Não é uma verdade absoluta. Escolher uma ou outra polícia vai depender da percepção de cada indivíduo. Depois não quero ninguém falando: o APF do Norte disse que a PRF é pior que a PF!

Eu, desde o início da minha vida de trabalho, nunca quis ser chefe. Meu primeiro trabalho foi como assistente administrativo em uma escola estadual na minha cidade. A diretora queria que eu fosse secretário, cargo que eu prontamente recusei, mesmo tendo a possibilidade de dobrar meu salário. Não tenho vocação para mandar/coordenar ninguém. 

Alguns podem falar: vai ser sempre um pau mandado. Mas a grande verdade é que independentemente da sua posição na hierarquia você sempre terá um chefe. Você pode ser Capitão do exército. Vai ser chefe. Mas vai ter o Major, seu chefe, mandando em você. Então sempre alguém vai mandar em você. O chefe da delegacia onde eu trabalhava respondia para o superintendente do estado. E esse respondia para o Diretor Geral da Polícia Federal. Que respondia para o Presidente da República. Que responde para nós, povo (pelo menos na teoria). Veja que é um ciclo que nunca termina. Então independentemente de onde você esteja, você terá um chefe. 

Falando sobre carreira única: na PRF você também tem chefe. E minha experiência não foi muito boa com a chefia. Mesmo eu sendo nativo da cidade onde era lotado, sem pretensão de ir embora, gostando muito do que eu fazia e fazendo da melhor forma possível, eu era preterido em tudo pelo chefe (Exemplos: eu nunca viajava, ficava nas piores UOPs – Unidade Operacional, antigamente chamada de Posto – , era o último a escolher férias). E como eu não tinha intenção de mudar de cidade/lotação, provável que esse cara seria meu chefe por muito tempo. Então você percebe que chefe ruim tem em todo lugar. Por isso não adianta falar que a PRF é melhor porque não tem chefe. Tem sim. E pode ser igual ou pior que muito delegado. 

Tendo as premissas “chefe” equivalentes, então vamos para as atribuições. Na PRF, a não ser que você trabalhe em algum setor administrativo, você vai trabalhar na BR. Esse é o seu trabalho: abordar veículos e fazer valer a lei. É muito bom o trabalho. É divertido. Você consegue fazer diferença naquele lugar onde atual. É possível ver o comportamento dos usuários mudando naquele trecho. Você pode se especializar em vários tipos de fiscalização. Mas, apesar de tudo isso, o trabalho é na BR, braçal, com muito calor ou frio, e no regime de 24h de serviço por 72h de descanso. 

Para chegar as 8h da manhã em uma das UOPs na qual trabalhava, eu tinha que acordar 5h da manhã. Chegava às 6h na Superintendência e deslocava com os demais colegas até o local na BR onde ficava a UOP. E no retorno para casa, no dia seguinte, saia 8h da manhã da UOP para chegar quase meio dia em casa, a volta demorava mais que a ida por causa do trânsito do horário. As 72h de folga podem até parecer muito, mas não é bem verdade. Veja que só com o deslocamento eu já perdia quase 7h somando a ida e a vinda. Com isso o descanso já cai para 65h, e ainda tem o sono que você não teve na noite que passou. Logo você chega em casa muito cansado. Vai querer dormir durante umas 6h pelo menos para tentar se recuperar. Já caiu para 59h de folga. 

Além disso, todos os seus amigos de fora da polícia trabalham em horários normais, então você perde confraternizações, aniversários, casamentos, etc. A coincidência é impressionante, as datas em que seus amigos vão comemorar algo caem sempre nos dias do seu plantão. Sendo assim eu descobri que o regime de plantão não era um regime que eu queria ficar para sempre. 

E, após todos esses “poréns” que relatei acima, o salário da Policia Federal é maior, funciona com regime de expediente e o trabalho é mais investigativo. Claro que eu pensei nisso tudo somente após ter passado pela Academia da PF (ANP). Até o dia em que fui tomar posse na PF eu ainda estava com muito medo de me arrepender, mas felizmente, isso não aconteceu. 

Desde quando eu entrei, eu perdi a conta de quantas vezes viajei a serviço. Um lugar mais dessemelhante que o outro. Conheci várias culturas e pessoas. Fiz amigo em muitos lugares. E apesar de a PRF ter viagens também, a quantidade é muito menor. Sei disso porque converso com os amigos que permaneceram lá. A maioria quase nunca viaja. 

Muitas pessoas me perguntam se eu me arrependo de ter trocado, e a resposta é: de jeito nenhum. Sinto saudades de algumas atividades da PRF, da organização, do relacionamento com os amigos. Mas onde estou agora estou mais feliz com o trabalho. Gosto das atribuições. 

Quando concurseiros me perguntam o que deveriam escolher, eu digo: foca no tipo de trabalho. Foca no que você quer fazer durante sua vida e esqueça as picuinhas e rixas. A não ser que um dia você queira ascender na carreira, aí você tem que pensar em um cargo de chefia. Agente, escrivão e papiloscopista da PF não são para você, definitivamente, se você ainda quer um dia ser chefe. 

Tenho amigos na PRF que não fariam a troca que eu fiz. Amam a liberdade de ação que tem, e até conseguiram cargos de chefia. Por isso que eu disse no começo, depende da percepção de cada um, e essa foi a minha percepção. 

Ps.: Como eu disse lá no início: MINHA exclusiva percepção sobre as duas instituições. Não é verdade absoluta e nenhuma é pior que a outra. Tudo depende dos objetivos que você tem para a sua vida. 

Pps.: Adicionem lá no instagram: @apfdonorte – lá posto um pouco mais dos retratos das aventuras. 

Ppps.: Curtiu o texto, compartilha com os amigos concurseiros que estão indecisos.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Pontuação das lotações e Adicional de Fronteira na Polícia Federal

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Pessoal, como esse assunto é uma dúvida geral de quem faz o concurso da Polícia Federal, e principalmente de quem vai para a ANP, estou postando o ranking de pontuação de cada lotação e se tem ou não o adicional de fronteira. Pode um ou outro estar incorreto, ou faltar uma lotação ou outra, mas foi o melhor que eu consegui. Grande ajuda do meu amigo @pedrocooke. Sigam ele lá no instagram. Cara dá dicas de concurso e até escreveu um livro.

Aproveitem e me sigam lá também: @apfdonorte.


ps.: Pessoal, se forem replicar essa planilha, peço por gentileza que deem os créditos.
pps.: Se você curtiu, compartilhe. Ajuda demais.

domingo, 17 de março de 2019

ANP - Academia Nacional de Polícia - PF - Não se lesione jamais!

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Estamos na véspera de começar mais uma ANP - Academia Nacional de Polícia - da Polícia Federal. Muitos candidatos ansiosos e muitos me perguntando como funciona a atividade física na academia. Vou falar um pouco aqui, mas a principal dica é: NUNCA SE LESIONE.

Na academia da Polícia Federal qualquer lesão é motivo de desligamento. Lá vai haver atividades físicas, como por exemplo: corrida, natação, pista de obstáculo, exercícios funcionais, defesa policial, e mais algumas atividades que não são exatamente físicas propositalmente, mas que podem causar lesão, como patrulha noturna no mato (pisar num buraco e torcer o tornozelo, por exemplo.), corridas de uma aula para a outra (tropeçar e cair), corrida para o alojamento para pegar material esquecido (acontece com todos - tropeçar e cair, pisar de mau jeito e torcer o tornozelo).

Nessas atividades, evite a todo custo se machucar. Senhores, a ANP é parte do concurso, e ser eliminado nela significa jogar fora todo o esforço feito até agora. Prestem atenção: não vale a pena se lesionar para provar que aguenta porrada, que é resistente. Não vale a pena perder tudo por causa do ego. Não jogue tudo fora. 

Os professores falarão para você dar o seu máximo, chutar forte, socar forte, pular alto, se jogar no chão, gritar, espernear, ser resistente, deixar de moleza. Não faça isso. Não exagere. Principalmente nas aulas de defesa pessoal. Lá existirão golpes que se aplicados de fato podem lesionar você e o colega. Finja, seja o maior ator do mundo, mas não seja idiota de perder o concurso por causa de uma fratura ou torção. Esse mesmo professor que manda você dar seu máximo, é aquele que vai te mandar pra coordenação porque você se quebrou. Um aluno perdeu a ANP porque fraturou a falange de um dos dedos da mão. Nenhum professor ou coordenador teve pena dele.

Outra dica: agora que ainda não começou a ANP e você já está aprovado, evite atividades que podem te lesionar. Se você é praticante de artes marciais, pare. Não jogue bola. Deixe para fazer isso tudo depois da academia.

É para não aproveitar a academia? Claro que não. Aproveite a academia moderadamente. Não acredite em tudo que falam lá. Se mesmo com todos esses cuidados você se machucar, nunca vá no médico da PF. ele não tem dó. Aguarde até o sábado para ir no médico fora da academia. Disfarce qualquer lesão possível de ser disfarçada. Peça ajuda aos colegas da turma. NUNCA confie no orientador. Ele está do lado do sistema. E ele não terá pena de eliminar você. Inclusive: fará isso rindo.

Vi um caso de um aluno que estava com o pé quebrado. Aguentou a dor a academia toda. Não falou para ninguém e se formou. Outro que rompeu os ligamentos do joelho. Foi no médico de fora da academia. Escondíamos ele nas atividades mais prejudiciais. E ele se formou.

Você nadar e morrer na praia é a pior sensação do mundo. Vi acontecer com alguns colegas na ANP. Uma amiga se lesionou na pista de obstáculos. Não pôde continuar, foi eliminada, voltou sub judice, mas não tomou posse até hoje. Felizmente ela passou esse ano novamente, mas já se foram 4 anos e com certeza, muitos gastos com estudos e tempo perdido.

ps.: Seja audaz já na academia. 
pps.: Na sua vida funcional você precisará mentir demais, comece na academia a treinar.

sábado, 26 de maio de 2018

Apenas um desabafo. Polícia Federal: Sonho ou pesadelo?

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Polícia Federal: Sonho ou Pesadelo?

A gestão do capital humano na Polícia Federal deveria se preocupar mais com a satisfação do seu pessoal, tratando como peça essencial para o sucesso do órgão, reconhecendo o valor de cada um. Esse reconhecimento gera um policial federal mais envolvido e comprometido com a instituição, MOTIVADO, fazendo ele se sentir parte da PF, havendo, assim, uma identificação pessoal com o órgão. E isso é fundamental para a saúde de ambos: Servidor e Polícia Federal.
Vendo a atual desmotivação de grande parte do efetivo policial, não acho que a gestão de pessoal esteja se preocupando de nenhuma forma com os seres humanos policiais. Isso começa na ANP, com a tentativa de eliminar cada aluno. Vi alunos sendo eliminados sem nenhum critério ou por motivos insignificantes com justificativas do tipo: por que sim. Posso dar como exemplo um aluno que numa aula de defesa pessoal fraturou a última falange do dedo anelar. E, mesmo isso não causando nenhum prejuízo e nenhuma atividade, ele foi eliminado. Isso já começa a causar frustração.
O código penal ordena que “não há crime sem lei anterior que o defina e não há pena sem previa cominação legal”. Na academia o crime é definido na hora. Sem regra anterior. E a pena é dá cabeça de cada gestor. Cada aluno deveria ser tratado como uma pessoa viva, e não como apenas um número. São sonhos de uma vida que estão em jogo. E frustrar sonhos não ajuda a motivar. Criar regras claras e transparentes já seria um bom começo.
Ao tomar posse jogam você na sua cadeira e falam: faz isso. Não há conversa. Não há reuniões. Não há feedbacks. Ou faz ou eu mando outro fazer! É assim que acontece na maioria das vezes. Não há treinamento dos gestores para gerirem de fato. Cada um faz da sua cabeça, sem nenhuma uniformidade de uma gestão para outra. Faz o servidor pensar: “o que eu estou fazendo aqui? Isso não é minha casa e parece que nunca será”. Não há perspectiva de melhora. E essa falta de perspectiva é muito desmotivadora. Treinar os gestores para entenderem o que deve ser feito e como deve ser feito seria uma boa forma de começar a mudar essa situação.
Não há meritocracia de fato. Os servidores que desenvolvem ótimos trabalhos, ao invés de receberem benefícios, recebem mais trabalho. Os servidores ruins são beneficiados com pouco trabalho e com viagens e remoções, já que ninguém os quer por perto. Os gestores que conheço não se preocupam em saber o porquê da desmotivação. Um exemplo de “prêmio” para bons servidores seria, por exemplo, uma missão em casa – para quem está fora de casa – ou o direito de escolher férias primeiro que os outros, por exemplo. Deveriam haver métricas objetivas para mensurar a qualidade do trabalho de cada um.
A gestão de pessoal vai desde se preocupar com o ambiente onde acontece o trabalho, até cuidar da própria saúde do servidor. Não só pensar que o servidor ganha o salário dele todo mês, então tem que fazer o que eu mando sem questionar. Isso empobrece a polícia federal como um todo. Contra-argumentos ajudam a desenvolver ideias e pensamentos. Debates são saudáveis para o desenvolvimento.
Um servidor motivado trabalha mais e se empenha mais. Com isso gera mais e melhores resultados frutos do seu labor. Não adoece. Se sente satisfeito onde está e se sente parte da instituição. Fica com a mente sã. E isso faz todos saírem ganhando. O servidor feliz onde está. E o órgão, que estará em pleno desenvolvimento e saudável, já que o órgão é a soma dos seus servidores. Isso se torna um círculo vicioso. Servidor saudável, polícia saudável.


ps.: Isso foi um desabafo de alguns meses atrás que fiz numa redação para um curso interno.
pps.: Nem sempre tudo são flores. Na verdade, quase nunca.
ppps.: Isso é para aqueles que pensam que é tudo uma maravilha. Galera, essa fase minha passou. Mas tive que correr atrás. E recebi uns conselhos de uma certa Novinha (mulhernapolicia).
pppps.: Ah, tirei nota máxima nessa redação. Pra me gabar um pouco.

terça-feira, 24 de abril de 2018

A escolha das Vagas na Academia Nacional de Polícia - ANP

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Imagem do Teatro de Arena na Escolha de vagas. Não sei o ano, peguei a imagem no google. Se imagine aí!

Baseado na pergunta do Leandro Mota, falarei como funciona a escolha de vagas na Academia Nacional de Polícia - ANP.

Após quase todo o curso, restando algumas poucas aulas, mas nenhuma prova, acontece a famosa escolha de vagas da Academia Nacional de Polícia. As provas todas já ocorreram porque a escolha é baseada na sua colocação dentro da ANP. Ao chegarmos na academia, zera a nossa nota do concurso e todo mundo volta a ser igual. Vai de você estudar para ficar bem colocado e poder pegar uma vaga menos ruim, ou não. Há quem não esteja nem aí. Eu me preocupei!

Só vão para a academia as vagas que sobram do concurso de remoção do efetivo interno. Traduzindo: onde o efetivo não quer estar, são as vagas que sobram para os futuros novinhos. São muitas cidades que sobram. Desde São Paulo até Oiapoque. Se você é do Rio de Janeiro ou do Nordeste, saiba que vai demorar para voltar para casa. Sem querer ser estraga-prazeres.

Dentro da ANP você só tem ideia da sua colocação atual porque os próprios alunos vão fazendo uma lista com as notas de todos. Há quem se dá o trabalho de ir de sala em sala pegando nota a nota e montando uma planilha Excel. E nessa lista você sabe mais ou menos em que colocação atual você está. Não há lista oficial da colocação até chegar no dia da escolha. Isso é meio tenso.

As competição entre os alunos é acirrada e as notas são bem parelhas. Por exemplo, a diferença do 600° pro 1°, na minha academia, era de menos de 1 ponto. Então, bastam algumas notas menores que 9 para você começar a despencar. E não é fácil de se recuperar. Na verdade, é quase impossível.

Quando se está quase no final, para nós finalmente nos formarmos, reúnem todos os alunos no Teatro de Arena. É um lugar que cabe todo mundo. Nesse dia você pode levar o celular. Porque muita gente precisa falar com mulher, mãe, filhos para ajudar a escolher a melhor lotação inicial. Pela lista feita pelos alunos, dá para se ter uma ideia em qual cidade vamos parar, mas nunca é certeza. Por exemplo, quando eu estava lá havia rumores de que São Paulo, por ser uma capital cara de morar e de baixa pontuação (eu explico isso depois), seria uma das últimas lotações a serem escolhidas. Porém foi uma das primeiras.

Chegando no Teatro de Arena, ligam um projetor. Na tela: de um lado a lista das cidades com as respectivas vagas. Do outro lado a lista com os alunos ordenados por classificação. No meu caso eram quase 700 alunos. Faz-se uma fila com 10. Começa do zero um da academia. O cara mais bem classificado. Ele vai até o microfone, grita o nome, colocação e a cidade pra qual quer ir. Já entra o 11° na fila. Vai o segundo. Já entra o 12° na fila. E assim prossegue até o zero último.

Dura algumas horas esse processo.Se cada aluno demorar 30 segundos, são quase 6h de duração. Foi mais ou menos isso. Houve um intervalo para o almoço. Na hora das escolhas é bem divertido e descontraído. Tem aluno doido bem colocado, por exemplo, que escolhe tabatinga. Aí a galera grita, vibra. Mas acho que esse momento da escolha da lotação inicial é o momento que você tem que ter mais cuidado para não ir para um lugar muito ruim. Tem que ter em mente que ali será sua moradia por alguns anos. Ninguém sabe quantos. Logo, não dê uma de super herói. Escolha, caso tenha oportunidade, a melhor lotação possível. Todos serão policiais. Não vá na onda de alguns que dizem que para ser PF de verdade tem que ter passado por uma lotação horrível. Balela isso.

E quando termina o dia da escolha, tudo volta ao normal. Mas agora você sabe oficialmente para onde vai. Começará a procurar sobre sua lotação. Conversará com os professores que são lotados na sua futura cidade. E, mesmo que você tenha ido para um lugar "ruim", vá de mente aberta. Faça de lá o seu lar, que o tempo passará muito mais rápido e será muito mais divertido. Em todos os lugares do Brasil existe gente e coisas interessantes. Busque isso.

ps.: terminando de responder a pergunta do Leandro: Você só veste a camisa preta após estar empossado. A única coisa que você "ganha" do departamento é a arma, um notebook e o colete. O distintivo e a camisa você compra, se quiser. A primeira vez que vesti a camisa preta foi para um treinamento de tiro.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Mais uma missão contra o tráfico de drogas!

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Informação passada pela inteligência: traficantes vão fazer uma entrega numa fazenda X, de 40 quilos de cocaína/ pasta base. Objetivo da missão: Interceptar a droga e o comprador com o dinheiro, carro e tudo que puder mais. Busca e apreensão caso dê o flagrante.

E foi assim que começou uma das missões mais legais que já participei. Foram divididas uma equipe de vigilância e uma equipe de assalto. Eu fiquei com um dos rádios da equipe de vigilância.

Chegamos de carro a alguns quilômetros do local onde os compradores iriam buscar a droga. O restante iríamos a pé pelo meio do mato. Estava chuviscando. Isso é ruim pela sensação de ficar todo o tempo molhado. Mas é bom para chegarmos mais perto do alvo sem sermos notados, já que o mato molhado não estala e o barulho da chuva confunde quem tenta ouvir alguém se aproximando.

O local era uma fazenda no meio do nada. Cercada de mato e estrada de terra. Tinha uma casinha pequena no lugar, onde se acreditava estar o vendedor da droga e a droga. A inteligência nos passava pelo rádio as ligações em tempo real feitas pelo comprador com o vendedor.

O rádio também servia para comunicar com a equipe de assalto e avisá-los quando seria a hora de agir. Porém, chegamos de tardezinha no local. Ainda muito iluminado para chegarmos perto. A equipe de vigilância tentaria chegar o mais perto possível. Perto o suficiente para tentar ouvir a conversa dos traficantes. Para isso teríamos que aguardar a noite cair. E assim fizemos. Avisei no rádio: pessoal, não tem como chegar mais perto de dia. Vamos aguardar a noite para aproximar bem. Tivemos que esperar uns 40 minutos.

Ao cair da noite, começamos a nos mover novamente. Rastejando no mato alto, com todo o cuidado. O rádio ia no volume mínimo para que não fôssemos descobertos. Até a luz piscante do rádio eu tinha que tampar com o dedo para não nos denunciar.

Atravessamos um ramal (pequena estrada de barro) com todo cuidado, pois ali poderiam nos ver fácil, já que estaríamos momentaneamente sem a proteção do mato. Chegamos perto da cerca da fazenda, bem próximo a casinha. Podíamos ouvir as ligações do traficante com o comprador, que depois nos era passada pela inteligência. Mas ouvíamos em primeira mão, antes da inteligência nos passar, e começamos a manter a equipe de assalto atualizada.

Nessa hora temos que segurar a ansiedade, pois poderíamos perder tudo caso fôssemos precipitados. Tínhamos que esperar a droga e o comprador estarem juntos com os traficantes.

Nós estávamos parados bem perto de uma estrada a qual nem eu nem a equipe tínhamos visto. E foi um vacilo que quase nos custou a missão. Num certo momento o traficante mandou o outro pegar alguma coisa no fundo da fazenda. Chamá-lo-ei de Bilu. Bilu foi buscar algo e saiu caminhando na nossa direção. Foi quando eu percebi o quão próximo dessa estrada nós estávamos. Porque ele veio quase pisar na gente. Abaixamos as cabeças e torcemos para que ele não nos visse. Passou a menos de 1 metro de distância. Coração batendo na garganta. Bilu foi e voltou, mas não nos viu! Essa foi por pouco. Por muito pouco.

De repente começamos a ouvir barulho de carros se aproximando. Era a compradora. Chegou fazendo muito barulho, podíamos ouvir claramente o que ela queria: A cocaína. Nessa hora a equipe de assalto falou no rádio: vamos entrar! Pude perceber que eles também estavam bem próximos e ouviram a conversa, ou ela falou alto demais.

Eu falei pra equipe: segura, não sabemos se o traficante já pegou a droga escondida. Eles me escutaram e seguraram. Até que o traficante anunciou que estava com a cocaína em mãos, e perguntou para a compradora: - cadê o dinheiro? A compradora foi buscar no carro. E, nessa hora, antes mesmo da equipe de vigilância gritar para atacar, a equipe de assalto saiu do mato gritando: Polícia Federal, ninguém se mexe!

Pegamos a droga, o dinheiro, e recebemos muitos parabéns dos professores que estavam coordenando o exercício. Porque na ANP você também pratica como se fosse real. E foi bom demais. E percebemos que é muito mais tempo de preparação que de ação.

ps.: Sugestão de textos são sempre bem vindas.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Histórias contadas por PRFs - Corrupção Policial

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Sabemos que há corrupção em qualquer parte do mundo e em qualquer classe de funcionários. Alguns desses corruptos são sem escrúpulos, sabem que estão prejudicando e não estão nem aí. Outros são corruptos da mesma forma, mas precisam justificar para si mesmos que aquilo que fazem não é tão ruim assim. E é desse segundo tipo que vou falar.

Um  PRF me contou que trabalhou com um guarda corrupto uma vez, nos tempos remotos. O cara aceitava dinheiro dos caminhoneiros para deixar passar as infrações. Aquele famoso dinheiro do "guaraná". Mas esse guarda precisava se justificar para si mesmo para se sentir bem, e fazia da seguinte forma:

Explicava ele: "Quando o caminhoneiro sai com a carga para a rodovia, ele já leva o dinheiro da gasolina, o dinheiro do pedágio, e leva também o dinheiro do guarda. Ou seja, esse dinheiro já é meu, eu só vou lá buscar". E com isso ele conseguia dormir bem, já que ele não estava fazendo mal a ninguém. Só que não!

Quando esse PRF amigo meu me contou esse causo, eu ri. Porque esse causo é engraçado. Mas, de fato, não deveria ter nenhuma graça.

Eu realmente espero que este guarda já tenha sido extirpado do quadro da PRF.


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O valor do tempo no Curso de Formação e a saudade!

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Ah o Curso de Formação Profissional, conhecido também como CFP. Tenho saudades. Não saudades da ralação, mas da aprendizagem, das pessoas, da segurança que os instrutores(as) passam, dos próprios instrutores e instrutoras, das brincadeiras. Das meninas bonitas.

Lá eu aprendi que 1 minuto é um tempo muito valioso - dá para comer uma barra de cereal, ir ao banheiro e encher a garrafinha de água para levar pra sala de aula.

Descobri também que em menos de 4 segundos você consegue sacar uma arma e atirar 6 vezes em 3 alvos distintos - dois tiros em cada alvo.

Aprendi que 3 meses passam rápido e que você pode sim enjoar de Florianópolis.

Aprendi que descansar somente aos domingos não é tempo suficiente para mim. Dizia que quando acabasse eu queria uma semana para dormir. Tire-me a comida, mas não me tire o sono!

Então, acho que o CFP é um mundo paralelo no qual você vive por 3 meses e ele muda sua vida. É muito intenso e vale muito a pena. Ele deixa saudades e muitos amigos. Pessoas que você jamais teria a oportunidade de conhecer e que jamais se reunirão ao mesmo tempo num mesmo lugar novamente.

A vida segue. Vamos para a próxima etapa.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Aulas de tiro no Curso de Formação da PRF

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Assim que eu soube que havia passado em todas as etapas do concurso da PRF já comecei a pensar em como seria chegar na academia sem nunca ter dado um tiro. Pensei que, nesse caso, chegaria atrás dos outros aprovados e decidi: vou para um clube de tiro para praticar.

Chegando lá no clube pedi orientações. A dona do clube me ajudou a entender como funcionava a arma e me mostrou algumas técnicas e posições táticas para atirar. Assim se foram 50 disparos. Tiro visado, tiro instintivo, saque rápido, tiro duplo policial e tiro contra colete. Diversão total.

Pois bem, chegando à academia da Polícia Rodoviária Federal pensei: aula de tiro. Para mim, que trabalhava com papel em um ambiente de escritório, num belo dia quando entrei na sala de aula e vi uma PT 840 em cima da mesa de cada aluno, fiquei encantado. Nesse dia o instrutor deu 1 minuto para mexermos a vontade na arma. Depois as recolheu e começou uma aula teórica. Pensei: ahhh, e os tiros?

Pois antes de atirarmos de fato treinamos muito em seco. Tiro em pé, deitado, posição torre, saque rápido, tiro andando, andar tático, tiro à retaguarda, transição de armas, tiro abrigado, tiro com apenas uma das mãos e tudo que se pode imaginar. Nessa hora que eu descobri o que era olho diretor e que meu olho diretor era trocado.

Depois usamos munição de treinamento, aquelas que só servem para dar peso à arma e fingir que dispara. E com essa munição treinamos novamente: Tiro em pé, deitado, posição torre, saque rápido, tiro andando, andar tático, tiro à retaguarda, transição de armas, tiro abrigado, tiro com apenas uma das mãos e, novamente, tudo mais que se pode imaginar.

Após esse treinamento todo eu pensei: agora estou pronto. Quero chegar ao estande de tiro e arrebentar.

E então finalmente chegou o grande dia. A hora que todos esperavam ansiosos. O dia de atirar com a munição de verdade. Chegamos ao estande correndo e cantando canções militares. Aquelas que um fala e os outros repetem, sabe? Pois é. Todos de colete, óculos de proteção e abafadores de orelha, coldre de perna, bornal e porta carregadores no cinto tático. Eu praticamente me sentia no cargo. Agora sou PRF, empolgação (drama mode ON).

Pegamos a arma e o carregador. Colocamos a arma no coldre e os carregadores, agora municiados - com as munições brilhando-, nos porta carregadores e nos dirigimos para a linha de tiro. Recebemos a instrução de como deveríamos fazer, sinais de apito que deveríamos obedecer e pronto. Finalmente chegou a hora da diversão.

Porém eu nunca imaginei que ficaria tão nervoso. Quando o instrutor mandou alimentar e arma e carregá-la, minhas mãos já tremiam. Suava muito e pensei: e agora?? Quando o instrutor falou: ao som do apito, 10 tiros visados, ao seu tempo. Priiii (som do apito! :P). Meu coração gelou. Frio na barriga! Mas eu já tinha atirado, pensava, por que diabos estou tão nervoso? Era incontrolável, apesar de todo o meu esforço para tentar controlar.

Mesmo com todo o nervosismo eu saquei devagar, mirei e respirei fundo, não necessariamente nesta mesma ordem. Acho que respirei fundo antes de mirar, na verdade. Era difícil demais manter a mira no alvo, já que ela se mexia muito. E logo eu tomo um susto. Alguém deu o primeiro tiro. E cada tiro que alguém da linha disparava era um susto. Que coisa estranha, pensei. Vamos lá PRF do Norte, se concentra, porr@. E, após disparados os 10 tiros, e depois mais 10, eu continuava extremamente nervoso. Foi quando eu pensei: será que eu odeio atirar? (Depois eu descobri que não. Que muita gente também estava tremendo e que isso era normal.)

Nas aulas posteriores fui ficando cada vez mais tranquilo. Até que tudo era bem normal. Atirar era bom e eu me empolgava com a transição de armas e com o tiro duplo policial em vários alvos. Apesar de gostar muito, tiro não era a aula mais legal. A aula mais legal era a Condução Veicular Policial. Mas isso é outra história.

Então não rejeite algo que não gosta logo na primeira tentativa. Dê a chance desse algo tentar te convencer. (Como eu achei essa postagem sem sentido, resolvi falar isso no final!! :P). São as aventuras de um Curso de Formação Policial! PRF! Orgulho de Pertencer! Ou quase pertencer.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Não queremos um cargo, queremos um trabalho, buscamos um sonho!

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A grande maioria dos aprovados em concursos policiais os fazem porque querem realmente ser policiais. Nós não queremos só ter um cargo e um salário, estamos perseguindo um sonho: Ser policial. Claro que o salário é bem vindo, sempre é, ninguém vive da luz solar, mas o sonho é a grande busca.

Após a prova objetiva, durante as demais etapas (são muitas) do concurso, era possível ver a vibração de cada candidato, era notório o esforço, era emocionante como cada um estava "dando o sangue" para ser aprovado e como se sentiam bem em ter conseguido chegar até ali. Víamos também a tristeza coletiva quando alguém ficava pelo caminho, mesmo sendo concorrente direto.

Um concorrente chegou a desmaiar de exaustão no teste de corrida de 12 minutos, de tanto que se esforçou, mas não desistiu! Desmaio mas não desisto, pensou ele, ante o valor de estar ali!

No final das contas, os 1000 primeiros aprovados em todas as etapas foram finalmente convocados para o tão sonhado Curso de Formação Profissional (CFP). Eu mesmo fiquei sem dormir alguns dias pensando como nesse tal CFP. A ansiedade era imensa. No curso foram 3 meses de ralação (nem tanta ralação assim, vai). Empolgação a flor da pele e muita diversão em cada disciplina, em cada instrução prática, em cada tiro dado.

Após o último fora de forma, no dia da formatura (23/05/2014), viam-se lágrimas e mais lágrimas de alegria. A impressão era que tinham jogado gás no salão, todos de olhos vermelhos e narizes escorrendo! Finalmente todas as etapas do concurso foram vencidas. O sonho estava quase se realizando. Finalmente seríamos Policiais. Policiais Rodoviários Federais. Como soava bem isso. De 1000 convocados para o curso de formação, 951 conseguiram concluir. E agora era só esperar a nomeação. Ahhhh, a nomeação... só alegria hein... Só que NÃO!

O que não sabíamos é que essa nomeação não viria tão cedo. Muitos haviam saído dos seus empregos, outros pediram empréstimo e alguns estão devendo até as calças, tudo isso para poder cursar o CFP. Afinal a nomeação sairia em uma ou duas semanas após o término, no máximo!!! Foram, na verdade, 3 meses de espera. Mas calma, ainda não terminou.

E, finalmente, após quase 3 meses de enrolação (se não tem explicação, só pode ter sido enrolação), em 18 de agosto de 2014, o MPOG (Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão), autoriza a nomeação de 501 dos 951 candidatos formados, adiando mais ainda (sabe deus até quando) o sonho de 450 candidatos formados. Falei que ainda não tinha terminado. E, adivinhem só, eu estou colocado após o 501º. Então, para mim, ainda não foi dessa vez. Muito obrigado, MPOG!

Agora acabou.

Desabafo: Ao nomear novos policiais não se pode falar em gasto público. Estamos falando de investimento em segurança pública. O sonho de uns é a segurança de muitos, nesse caso, usuários das rodovias federais. Passados mais de um ano da prova objetiva estão sendo nomeados apenas metade dos candidatos aprovados. E, só em 2014, vão se aposentar 800 PRFs. Ou seja, entrando 500, não estamos nem suprindo aqueles que estão saindo. Valeu Brasil.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Rotina de Estudos para concurso público

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Para quem quer ser aprovado em concursos de grande concorrência, como os da PF, PRF, Receita Federal, etc., qualquer hora é hora para estudar. Não adianta pensar: Ah, vou esperar até mais tarde, quando terei mais tempo, porque só tenho 20 minutos disponíveis agora. Esse é o tipo de pensamento que se faz perder tempo, e muito! Foram-se, nesse caso, 20 minutos jogados fora! Cada intervalo deve ser considerado tempo útil para os estudos, principalmente para quem trabalha 8h por dia. E, por isso, o planejamento e a organização nos estudos são tudo.

Quando eu realmente vi que só me organizando para lograr êxito no concurso almejado, fiz uma planilha com as minhas horas livres e quais delas eram passíveis de serem utilizadas para os estudos. Afinal, nem toda hora livre é hora útil de estudo. Um exemplo é a hora do almoço. Se você tem 1h de almoço, não adianta se cobrar também 1h líquida de estudos, já que se é necessário almoçar. Lembre-se de que se alimentar é fundamental para a cabeça funcionar bem. Mas também você não precisa gastar essa hora toda no almoço. Frações de hora são tempos de estudos importantes. E isso fez a diferença para mim.

Vamos ao meu caso:

Eu trabalhava 8h por dia, das 8 às 17h. Pedi para mudar meu horário de entrada para às 7h e saída para às 16h, dessa forma eu me obrigaria a acordar 1h mais cedo, ganhando 1h nesse processo. Ainda teria a vantagem de pegar menos trânsito saindo às 16h, deixando de perder tempo com o traslado.

Como eu queria o concurso da Polícia Federal, ainda tinha que me manter na academia, pois não adiantava nada passar na prova escrita e reprovar no TAF. Então, nesse caso, já seriam 8h para o trabalho mais 1h para a academia, ou seja, 9h do dia a menos para os estudos. Dessa forma eu só poderia estudar a partir das 16h, certo? Errado. Eu ainda tinha a hora do almoço. Eu almoçava em 15 minutos para poder ter 45 minutos de estudos. E rendia muito. Fora as frações de horas que eu estudava que me comprometerão se eu contar aqui! Mas esse é o pensamento: estudar em cada minuto disponível, cada fração de tempo, sempre que der. Parou para tomar um cafezinho, aproveite e resolva uma questão. Foi ao banheiro, leve o celular com o vade mecum. Entenderam? Espero que sim!

Mas, sem mais delongas, vamos à rotina diária completa:

7h às 12h - Trabalho
12h às 12h15min - Almoço
12h15min às 13h - Estudos (+ 45min de estudos)
13h às 16h - Trabalho
16h às 16h20min - traslado para o cursinho
16h20min às 16h40min - cochilo no carro no estacionamento do cursinho para recuperar as energias (não adianta estudar pensando em dormir)
16h40min às 17h - lanchando e acordando
17h às 18h15min - estudando na biblioteca do cursinho para aguardar a aula começar (+ 1h 15min de estudos)
18h15min às 21h30min - Aula do cursinho com 15 minutos de intervalo (+ 3h de estudos)
21h30min às 21h45min - traslado para a academia
21h45min às 22h45min - Academia
22h45min às 23h - traslado para casa
23h às 23h30min - jantar e banho
23h30min às 01h - Estudando em casa (+ 1h 30 min de estudos)
Aos sábados eu estudava 6h por dia, ou até o quanto aguentava. Sábado à noite e domingo eram meus horários de descanso / namoro.

Somando-se as horas de estudos chega-se a um total de 6h e 30 minutos diários. Nem todos os dias eu aguentava estudar após a academia devido ao cansaço e ao sono, mas eu sempre tentava. É muito importante você forçar e tentar estudar, a resistência vai aumentando a cada dia. Eu só parava quando já não conseguia somar 1 + 1.

Frisando: force a barra, lute contra seus limites, busque motivação. Você quer ou não quer passar? Ninguém disse que seria fácil. Ninguém disse que não doeria. Mas todos que passam por isso dirão que valeu a pena. E como valeu! Hoje, aguardando a nomeação, eu saio do trabalho às 16h e vou à academia. De lá, vou pra casa, sem pressa. Em casa, tomo banho, janto e vou jogar video game. Digam vocês: já valeu o esforço, não valeu?

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Concurso suspenso, e agora?

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E então, num belo dia de sábado, eu chego à aula de língua portuguesa, pela manhã, quando sou noticiado: o concurso pra Escrivão da Polícia Federal foi suspenso!
 - Suspenso por quê? Pergunto eu meio que desacreditando da notícia.

Fiquei completamente puto da vida meio chateado pelo motivo da suspensão: não havia previsão de vagas reservadas para deficientes (PNEs), como mandava a lei. Muitas discussões rolaram entre os concurseiros se devia ou não devia ter vaga reservada para Pessoas com Necessidades Especiais para cargo policial, mas nada disso levaria a nada, nossas vidas estavam nas mãos do STF, infelizmente.

Nessa época eu juro que mal entendia o Supremo Tribunal Federal e para que ele servia. Achava que era somente para atrasar as decisões. Juninho demais eu era!

Mas voltando ao assunto, ainda consegui me dedicar aos estudos por 15 dias após a suspensão do concurso. Depois disso, desanimei. Estudava umas 2 horinhas por dia somente, quando estudava. Parei de fazer cursinho e as demais aulas. Quase me conformei novamente em estar no atual trabalho. Comecei a sair aos sábados e dormir o dia todo aos domingos. E, pelas minhas "comprovações observatórias", esse desleixo todo é sinônimo de não aprovação em concurso algum.

Passando por essa situação toda, pude comprovar que ninguém é de ferro. Por mais motivado que estejamos, as pedras no caminho podem nos desanimar e, se não formos persistentes, podem nos derrubar. Esse chove-não-molha de um concurso acaba com as energias de qualquer um. Só quem estuda sabe.

Fiquei nesse desleixo até final de 2012, quando pensei: preciso reiniciar minha cabeça para poder continuar. Recuperar o gás, pois o sonho não tinha acabado, não para mim! Então tirei férias e esqueci completamente dos estudos.  Foram uns 20 dias de despreocupação total. Porém com data de volta aos estudos planejada: 14 de janeiro de 2013. Foi quando tudo voltou aos eixos e a caminhada para a aprovação estava traçada!

Quando voltei de férias descansado fui capaz de me reorganizar. Planejei os dias de estudo e como faria. Que dia descansaria e que dia sairia para relaxar a mente e esquecer completamente do concurso, todos precisamos desse dia de descontração. E assim o fiz. Segui todos os meus planos e, com alguma sorte, consegui a aprovação no concurso da PF e da PRF, esse último caiu no colo meio que sem querer (mas isso é outra história).

Próximos capítulos: descrever como eu estudava 6h por dia e me preparava para o TAF mesmo trabalhando 8h por dia de segunda a sexta. Planejamento é o segredo. E muita cafeína! hehehe

terça-feira, 29 de julho de 2014

Superando-se para realizar um sonho

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Quem estuda para concurso, estuda de verdade, sabe que a vida de concurseiro, mesmo que só faça isso, não é fácil. Não é porque você não trabalha que vai ser simples e fácil. Bem, pode até ser um pouco mais fácil, mas ninguém senta do nada, hoje, a bunda na cadeira, e consegue estudar 8h por dia sem ter passado por uma adaptação antes. Um começo lento e progressivo. A gente sabe que é possível, mas assim como correr uma maratona, não se consegue isso do dia para a noite.

Você cansa de estudar, e como cansa! Para quem não está acostumado, 1 horinha que seja parece uma eternidade. E dá desânimo. Você se desespera, perde as forças e, muitas vezes, chora! Não tenha vergonha, o cansaço faz isso com a gente. A carga de responsabilidade e o medo da não-aprovação faz com que cada dia você exija mais e mais de você mesmo. E isso desgasta. Pergunte de qualquer concurseiro!

E foi exatamente o que aconteceu comigo após a minha não-aprovação no concurso de 2012 para Agente da Polícia Federal. Eu pensava: estudei tanto, me dediquei de verdade, e não consegui. Fiquei algum tempo sem querer saber de estudar. E realmente me bateu o desânimo e simplesmente comecei a me conformar com meu emprego atual. E, para querer ficar no meu emprego atual para sempre, é porque a vontade de estudar negativa.

Mas ocorreu algo que me levou a repensar minhas escolhas. Ao comparar meu resultado de 3 meses de estudos com o resultado de várias pessoas que estudavam há anos, vi que passei muito mais perto de ser aprovado que essas pessoas. E foi exatamente nesse momento que eu pensei: rapaz, acho que dá. Só um pouco mais de dedicação que dá. Porém, o próximo concurso da Agente da PF estava longe, nem tínhamos uma previsão.

Então, do nada (para mim foi do nada), saiu o concurso para Escrivão da Polícia Federal, 350 vagas, mais ou menos 1 mês após a prova de Agente. E o ânimo começou a voltar. Não era exatamente o que eu queria, mas muitos me disseram que escrivão também ia para operações, era polícia, fazia e acontecia. Pronto, lá estava eu debruçado sobre os livros, vídeo-aulas e questões novamente.

Ou seja, eu ainda não tinha entendido perfeitamente como se deve estudar para concurso público. Esperei, de novo, sair o edital para voltar a estudar. Sabemos que isso não dá certo para a maioria dos mortais (há uns semi-deuses que conseguem aprovação assim, não é meu caso). Há um lema dos concurseiros que diz: Deve-se estudar até passar, e não para passar. Esse lema ainda não cabia na minha mente de Juninho concurseiro.

Mas eu acreditava cegamente que conseguiria, que agora ia, e prossegui correndo atrás. Pensei, são só mais dois meses dedicados. Agora vai dar certo. E, adivinhem o que aconteceu logo em seguida? O concurso foi suspenso por não ter vaga para pessoas com necessidades especiais. Mais tempo para estudar e comemorar por poder me preparar melhor ou ficar chateado porque teria que esperar sabe deus quanto tempo?

Não cabe aqui uma discussão se PNE pode ou não pode ser polícia. Se é ou não compatível com o cargo. O negócio é que a briga estava no STF e hoje sabemos que se demorou quase 1 ano para resolver. E o que seriam só dois meses dedicados de estudos agora poderiam se tornar vários meses, pois ninguém sabia na época quando o STF resolveria o assunto. E isso foi mais uma reviravolta nos meus estudos.

Hoje em dia eu acho melhor um concurso suspenso do que não ter previsão de um. O concurso suspenso a gente sabe que ele vai ocorrer, então podemos focar nele. Temos o edital, a banca, o conteúdo programático e podemos nos planejar razoavelmente em cima do que foi lançado em edital, sem depender de editais anteriores, que é o caso de concursos sem previsão de ocorrerem. Mas mesmo assim uma suspensão abala o psicológico. E falarei sobre como isso me afetou no próximo texto.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Quando tudo começou - Rumo à Polícia Federal

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Tudo começou quando pensei: odeio o que eu faço. E quando chegava a segunda-feira e eu já estava pensando na sexta-feira, vi que tinha algo errado e decidi: preciso fazer alguma coisa para mudar.

Eu já era funcionário público de uma empresa pública. O meu salário era bom. Bem parecido com o salário inicial da PRF e um pouco menor que o da PF (isso é só para termos um referencial, pois nessa época eu ainda nem sabia o que queria fazer).

Voltar a ser funcionário de empresa privada não era uma opção. Eu percebi, nessa altura do campeonato, que eu já não gostava do que eu fazia há algum tempo. Antes mesmo de trabalhar na empresa pública! Ou seja, precisava mudar de atividade. Mudar de profissão.

Fazer nova faculdade não era uma opção.Voltar a estudar para concurso ainda era uma opção remota. A preguiça me ganhava sempre. Jogar no computados nas horas vagas era o que eu fazia de melhor. E eu ficava tentando me convencer de que meu trabalho melhoraria e ficaria tudo bem.

Até que um dia ocorreu um fato relacionado ao meu trabalho na empresa pública que foi a gota d´água. Eu realmente não aguentava mais e precisava mudar. Foi quando decidi pela Polícia Federal. Fiquei sabendo que abriria em breve o concurso e resolvi que seria lá na PF meu novo trabalho. Um cargo que impunha respeito, pagava razoavelmente bem e tinha grandes chances de viajar em operações legais. Foquei nisso e foi quando tudo começou. Agora eu era o mais novo concurseiro do pedaço (pelo menos assim eu achava!).

Matriculei-me num cursinho achando que bastava uma reta final de estudos para ser aprovado num concurso desses. Minhas únicas horas de estudos eram durante as aulas nesse cursinho. Ia para a aula, morrida de sono, tentava assistir e anotava o que conseguia. Afinal, trabalhava 8 horas por dia, ia para a aula e depois, ainda, para a academia. Cansativo, hein, pensei!

Eu achava que era tudo que poderia fazer. Não tinha mais tempo que isso, pensava. Eu nunca tinha me dedicado para concursos. Todos aqueles concurso em que eu já tinha passado (3 até aquele momento) o fiz sem muito esforço. E achei que para a Polícia Federal seria assim também (pensamento de juninho mesmo).

Porém, comecei a conhecer o pessoal realmente concurseiro. Foi quando descobri que eu não era concurseiro coisa nenhuma. Comecei a ver a dedicação de alguns e mudar meu modo de pensar. Vi que da forma que eu estudava não teria a menor chance. Muitos assuntos novos. Nunca tinha estudado matérias de direito na vida. Era preciso estudar mais. Mas como, não tinha tempo!

Então saiu o edital da PF. Foi quando a minha mudança de pensamento veio, de fato. O lançamento do edital e uma aula motivacional que tivemos no cursinho antes de começar a reta final me fizeram mudar. Foi quando eu realmente comecei a dedicar horas do meu dia, horas essas que eu nem sabia que existiam, para os estudos. Parei de arrumar desculpas de cansaço e comecei a me dedicar. Isso aconteceu no início de 2012.

Para nós nos situarmos no tempo: entre eu me matricular no cursinho até a data da prova se passaram 3 meses. Nesses 3 meses aprendi, para mim, a melhor forma de estudar (cada um tem a sua melhor forma), conheci pessoas que me ajudaram muito (dicas e material) e descobri um novo mundo: O mundo dos concursos públicos.

Claro que em 3 meses de estudos eu não consegui a aprovação. Não dessa vez. Mas eu tinha mudado minha forma de pensar e, após a prova, eu pensei: se eu me dedicar de verdade, dá! Eu sei que dá.

E foi quando realmente tudo começou. Planejamento e estudos, rumo à aprovação.

Próximo texto: a preparação para os estudos.