segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Pontuação Mínima no Concurso de Remoção por Lotação - Agente De Polícia Federal (2019)

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Pessoal, finalmente as vagas da última remoção do cargo de Agente de Polícia Federal, com suas respectivas pontuações mínimas. Ou seja, essa planilha indica qual é o mínimo de pontos que você precisar ter acumulado para conseguir ser removido para determinada cidade.


Senhores, para saber quanto tempo, mais ou menos, os senhores irão para cada cidade, basta pegar a pontuação da cidade de lotação, multiplicá-la pelo número de dias do ano. Aí os senhores terão a pontuação por ano daquela cidade.

Depois basta dividir a pontuação da tabela acima pela pontuação anual da cidade de lotação. Pronto, terão o tempo que será necessário para alcançar tal pontuação. Vou dar um exemplo pra facilitar. 

Você está lotado em Tabatinga/AM. Pontuação: 4,5. Essa pontuação é contada por dia. Ou seja, em um ano serão 365 * 4,5 = 1.642,5 pontos. Se você quer ir para Recife/PE, que a pontuação mínima foi 14.032 pontos, divida 14.032 por 1.642,5. O resultado é 8,5 anos.

Ou seja, você precisa ficar 8,5 anos em Tabatinga para acumular a pontuação necessária para ir para Recife. 

Mas saibam que essa pontuação mínima muda a cada concurso de remoção. Essa volatilidade depende muito da quantidade de concursos e, principalmente, da quantidade de vagas oferecidas nesses concursos.

ps.: Não esqueçam de seguir no Instagram: @apfdonorte. Lá eu sempre interajo com os leitores e amigos.

pps.: Já comprou o livro? Basta clicar aqui!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Livro com Histórias Policiais Reais Inéditas contadas por um Agente de Polícia Federal!

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Senhores, finalmente saiu o livro. São 79 páginas com contos policiais reais e muitas histórias inéditas. Eu espero de coração que gostem.

Para comprar basta clicar no Livro no canto superior direito, ou na imagem dessa postagem acima!

O livro custa só R$27,90. E para quem comprar até dia 04/12/2020, tem um cupom de 30% de desconto. Basta digitar na hora da compra: marcozero

Abaixo o sumário, para deixar os senhores ainda com mais vontade de ler.


Sumário:

Agradecimentos .................................................................................................... 3

O começo do sonho.............................................................................................. 4

A trajetória ............................................................................................................ 7

As Academias de Polícia .....................................................................................15

Por que eu troquei o cargo de Policial Rodoviário Federal pelo cargo de Agente de Polícia Federal ................................................................................................21

Primeiros dias de Trabalho ..................................................................................24

Primeiros dias na Polícia Rodoviária Federal: Quero PIsta! .............................24

Primeiros dias na Polícia Federal: Quero ação! ...............................................26

História 01: Tentativa de furto aos correios e a primeira vez que precisei me identificar como Agente                          de Polícia Federal. ..........................................................................31

História 02: Missão na Base Fluvial no Amazonas ...........................................35

História 03: Vamos pegar um traficante? ..........................................................41

História 04: Presos do colarinho branco e a realização da profissão ...............45

História 05: Uma fotografia muito cara .............................................................50

História 06: Fogo amigo – Nem tudo são flores na Polícia Federal ..................56

História 07: Reintegração de Posse em Área Federal .....................................62

História 08: Operações de Busca e Apreensão ................................................67

        Busca e apreensão na cadeia .......................................................................68

        Quando a curiosidade do vagabundo ajuda a polícia ....................................71

História 09: Um Político Vagabundo a Menos ..................................................74

Considerações Finais .......................................................................................79


sábado, 28 de novembro de 2020

O que faz um Papiloscopista de Polícia Federal? Eu descobri!

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Senhores, conversei com um PPF - Papiloscopista de Polícia Federal. E ele me relatou o que um papiloscopista realmente faz. Eu brinquei muito no Instagram sobre esse assunto, mas abaixo eu vou deixar o relato dele, ipsis litteris. Segue:

A gente fica lotado nos NIDs das superintendências e algumas delegacias, não é incomum os papiloscopistas de delegacias estarem fazendo o trabalho tal e qual dos agentes, seja por escolha ou por não ter o aparato técnico mínimo pras funções do cargo (pericial e afins).

As demandas de rotina são perícias em locais de crime e veículos envolvendo correios e caixa econômica, mais comumente. Sempre buscando vestígios de identificação por impressão digital. Das impressões coletadas a gente alimenta um imenso banco de dados pelo qual é possível confrontar a impressão desconhecida do local de crime com uma já conhecida de um prontuário civil ou identificação criminal anterior, por exemplo.

Tem uma parte, que é a mais demandada por sinal, administrativa. O escriba envia as BICs e nós retornamos a Ficha de Antecedentes Criminais. É função dos papis administrar e alimentar o sistema de informações criminais (SINIC) e é do Sinic que são emitidas as FACs.

Outra atribuição é a emissão de passaportes e carteiras funcionais dos colegas ativos e dos aposentados;

Tem a parte de representação facial humana que é o retrato falado e projeção de envelhecimento;

Da para dividir o cargo em funções administrativas e técnico científicas nessa parte mais pericial.

Fora isso você está livre pra participar de missões na qualidade de EPA (Escrivão, Papiloscopista e Agente), sem distinção.

E sim, somos poucos. No mínimo 5 por superintendência. Às vezes mais, às vezes menos. Aqui na minha somos 8.

Além dessas atribuições que falei acima, tem a necropapiloscopia abrangendo identificação de cadáveres e vítimas de desastres como na barragem de Mariana e a queda do voo da chapecoense.

ps.: Galera, tá aí o relato. As atribuições são interessantes, e são atividades que ajudam demais no trabalho investigativo.

pps.: Não sei que porra é BICs nem FACs. Nem adianta perguntar nos comentários. Se os colegas que leem aqui souberem, favor comentar. NIDs também.

ppps.: Não esqueçam de seguir no Instagram @apfdonorte - lá eu interajo com os leitores e sou bem mais divertido que aqui :P

domingo, 25 de outubro de 2020

Três histórias policiais curtas - PF e PRF

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Primeira: A colega bruta!

Havia uma colega na PRF que tinha a fama de ser bruta. Quando eu tomei posse ela já tinha uns 6 meses de casa, e fiquei sabendo que alguns usuários que foram abordados por ela tinham indo na superintendência da PRF reclamar de sua brutalidade. Mas era o jeito dela. Se você conversasse com ela, era gente boa. Ela não era desonesta nem nada, só bruta no trato mesmo. Mas era boa de serviço.

Tirei um plantão com ela uma única vez, e nós precisamos sair do posto para atender uma ocorrência. Ela era a motorista, então foi dirigindo. Só que no meio do caminho tinha um carro parado na BR, com dois homens. Estavam a uns 2 quilômetros do posto da PRF de onde tínhamos saído.

Ela parou a viatura do lado e perguntou se eles estavam com algum problema. Os caras responderam que não, que só param pra urinar. Foi quando ela fez cara de capirota e soltou: precisava ser no meio da BR, porra! Eu tive que morder a língua para não rir.

Quando os caras foram embora, todos envergonhados, e nós tornamos para a nossa ocorrência, eu disse pra ela. Você é bruta hein! Meu deus do céu. Ela disse: todo mundo fala isso, estou começando a acreditar. Vida que segue.


Segunda: Escapando de um provável assalto.

Toda vez que chego para colocar o carro na garagem de casa, que tem um portão elétrico, eu fico atento aos movimentos da rua. Vejo se não vem carro ou moto, se não vem gente a pé ou se tem alguém por ali sem fazer nada, com atitude suspeita. Além disso, sempre paro o carro em uma posição que dê para arrancar caso perceba algum perigo.

Dessa vez cheguei em casa, parei o carro numa posição segura, olhei em volta. Nada suspeito, então cliquei no botão para abrir o portão. Quando o portão estava na metade, passou um carro por mim e parou a uns 20 metros a minha frente, no meio da rua. Na hora em que vi isso já cliquei de novo no controle do portão pra ele parar de abrir, ficando mais alerta ainda para a situação.

O carro começou a dar marcha ré. Nessa hora cliquei pro portão fechar, saquei a pistola e mirei na direção da porta do carona, que era a mais próxima de mim. Meu carro tinha os vidros escuros, então quem estava fora não podia me ver. Sentia o coração bater na garganta, tamanha adrenalina. E eu só pensava: se descer vai levar. Se descer, vai levar.

O portão fechou. O carro, do nada, parou de dar ré, já quase do meu lado, e foi embora. Até hoje não sei se eles notaram que eu tinha percebido a intenção deles, ou se era só alguém procurando um endereço. Mas confesso que foi tenso.


Terceira: Menina sozinha no embarque internacional.

Trabalhei na imigração do aeroporto por 5 meses, assim que fui lotado na Superintendência onde estou atualmente. Não era o que eu queria, mas fui cumprir minha missão da melhor forma possível. 

Não sei se é assim em todos, mas nesse aeroporto tem uma área quase que exclusiva para voos internacionais. E só abrimos esse setor quando estão chegando ou saindo esses voos. Durante o resto do dia o setor fica trancado. Nesse aeroporto os voos ocorriam somente na madrugada. Começavam por volta das 1h da manhã e terminavam lá pelas 5h.

Tínhamos acabado de atender o último voo do dia. O sol já começava a aparecer. Eu sai do atendimento para ir no alojamento buscar alguma coisa. Quando estava retornando, passando pela área internacional, que já estava toda trancada, vi uma menina, já adolescente, sentada num dos bancos.

Olhei mais de uma vez para crer, porque não era para ninguém estar ali. Como que ela entrou? Será que era uma assombração? Mas juntei coragem e fui lá com ela. Para minha alegria, não era um fantasma. Então perguntei dela como que ela tinha chegado ali. Ela respondeu que havia uma porta aberta e ela entrou. Alguém, provavelmente da equipe de limpeza ou companhia aérea, esqueceu uma porta aberta.

Se eu não a tivesse visto, ela perderia e voo e ficaria trancada até alguém aparecer. Chamei o responsável pelo embarque daquela passageira perdida e voltei tranquilo para o trabalho. Mais uma vida salva! hahaha

Por hoje é só, pessoal. Espero que tenham gostado das resenhas.

Não esqueçam de compartilhar e seguir no instagram: @apfdonorte.


quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Vagas 1° Lotação - Agente, Escrivão e Papiloscopista da PF na Academia Nacional de Polícia de 2020 - Polícia Federal

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Muita gente me pergunta quais vagas que foram disponibilizadas na ANP, principalmente para saberem se conseguirão voltar para casa ou, pelo menos, para perto de casa. Na academia da Polícia Federal de 2015, quando fiz a ANP, eram 600 vagas. Então havia muito mais localidades como opção de primeira lotação que em 2020, que foram disponibilizadas somente 216 vagas para Agente de Polícia Federal. Lembrando que esses formandos fizeram a mesma prova dos que formaram em 2019. Essa é a segunda chamada.

As vagas de Agente da Polícia Federal da ANP de 2020, conforme me foram passadas pelos colegas. Talvez possa haver um ou outro erro, mas acredito que foi isso mesmo.

Cidade - Estado N° de vagas
Rio Branco - AC 15
Cruzeiro do Sul - AC 15
Epitaciolândia - AC 13
Manaus - AM 22
Tabatinga - AM 26
Amapá - AP 9
Oiapoque - AP 19
São Luís - MA 5
Imperatriz - MA 2
Corumbá - MS 12
Cuiabá - MT 10
Belém - PA 8
Altamira - PA
7
Santarém - PA
8
Marabá - PA 8
Redenção - PA 6
Guajará-mirim - RO 17
Boa Vista - RR 3
Pacaraima - RR 11


Vagas que foram disponibilizadas para Escrivão de Polícia Federal em 2020. Tem até vaga no RJ!

Cidade - EstadoN° de vagas
Rio Branco - AC7
Cruzeiro do Sul - AC6
Epitaciolândia - AC2
Manaus - AM4
Tabatinga - AM5
Oiapoque - AP2
Macapá - AP4
Corumbá - MS1
Ponta Porã - MS2
Cuiabá - MT3
Cáceres - MT1
Belém - PA7
Marabá - PA5
Santarém - PA1
Altamira - PA4
Redenção - PA1
Nova Iguaçu - RJ3
Porto Velho - RO2
Guajará-mirim - RO3
Boa Vista - RR4
Pacaraima - RR3
Palmas - TO1



Vagas que foram disponibilizadas para Papiloscopista de Polícia Federal em 2020. Só vaga de Superintendência!

Cidade - EstadoN° de vagas
Rio Branco - AC3
Manaus - AM4
Macapá - AP1
São Luís - MA2
Belém - PA4
Teresina - PI1
Palmas - TO2

Sejam todos bem vindos ao nosso norte, que é tão esquecido pelas autoridades. Tentem fazer a diferença. Cheguem de braços abertos para suas novas moradias, novinhos! 

Ps.: Pessoal, estou interagindo no Instagram também, sigam lá: @apfdonorte

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Por que eu troquei a PRF pela PF

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Senhores, esse é um relato com a minha única e exclusiva opinião. Não é uma verdade absoluta. Escolher uma ou outra polícia vai depender da percepção de cada indivíduo. Depois não quero ninguém falando: o APF do Norte disse que a PRF é pior que a PF!

Eu, desde o início da minha vida de trabalho, nunca quis ser chefe. Meu primeiro trabalho foi como assistente administrativo em uma escola estadual na minha cidade. A diretora queria que eu fosse secretário, cargo que eu prontamente recusei, mesmo tendo a possibilidade de dobrar meu salário. Não tenho vocação para mandar/coordenar ninguém. 

Alguns podem falar: vai ser sempre um pau mandado. Mas a grande verdade é que independentemente da sua posição na hierarquia você sempre terá um chefe. Você pode ser Capitão do exército. Vai ser chefe. Mas vai ter o Major, seu chefe, mandando em você. Então sempre alguém vai mandar em você. O chefe da delegacia onde eu trabalhava respondia para o superintendente do estado. E esse respondia para o Diretor Geral da Polícia Federal. Que respondia para o Presidente da República. Que responde para nós, povo (pelo menos na teoria). Veja que é um ciclo que nunca termina. Então independentemente de onde você esteja, você terá um chefe. 

Falando sobre carreira única: na PRF você também tem chefe. E minha experiência não foi muito boa com a chefia. Mesmo eu sendo nativo da cidade onde era lotado, sem pretensão de ir embora, gostando muito do que eu fazia e fazendo da melhor forma possível, eu era preterido em tudo pelo chefe (Exemplos: eu nunca viajava, ficava nas piores UOPs – Unidade Operacional, antigamente chamada de Posto – , era o último a escolher férias). E como eu não tinha intenção de mudar de cidade/lotação, provável que esse cara seria meu chefe por muito tempo. Então você percebe que chefe ruim tem em todo lugar. Por isso não adianta falar que a PRF é melhor porque não tem chefe. Tem sim. E pode ser igual ou pior que muito delegado. 

Tendo as premissas “chefe” equivalentes, então vamos para as atribuições. Na PRF, a não ser que você trabalhe em algum setor administrativo, você vai trabalhar na BR. Esse é o seu trabalho: abordar veículos e fazer valer a lei. É muito bom o trabalho. É divertido. Você consegue fazer diferença naquele lugar onde atual. É possível ver o comportamento dos usuários mudando naquele trecho. Você pode se especializar em vários tipos de fiscalização. Mas, apesar de tudo isso, o trabalho é na BR, braçal, com muito calor ou frio, e no regime de 24h de serviço por 72h de descanso. 

Para chegar as 8h da manhã em uma das UOPs na qual trabalhava, eu tinha que acordar 5h da manhã. Chegava às 6h na Superintendência e deslocava com os demais colegas até o local na BR onde ficava a UOP. E no retorno para casa, no dia seguinte, saia 8h da manhã da UOP para chegar quase meio dia em casa, a volta demorava mais que a ida por causa do trânsito do horário. As 72h de folga podem até parecer muito, mas não é bem verdade. Veja que só com o deslocamento eu já perdia quase 7h somando a ida e a vinda. Com isso o descanso já cai para 65h, e ainda tem o sono que você não teve na noite que passou. Logo você chega em casa muito cansado. Vai querer dormir durante umas 6h pelo menos para tentar se recuperar. Já caiu para 59h de folga. 

Além disso, todos os seus amigos de fora da polícia trabalham em horários normais, então você perde confraternizações, aniversários, casamentos, etc. A coincidência é impressionante, as datas em que seus amigos vão comemorar algo caem sempre nos dias do seu plantão. Sendo assim eu descobri que o regime de plantão não era um regime que eu queria ficar para sempre. 

E, após todos esses “poréns” que relatei acima, o salário da Policia Federal é maior, funciona com regime de expediente e o trabalho é mais investigativo. Claro que eu pensei nisso tudo somente após ter passado pela Academia da PF (ANP). Até o dia em que fui tomar posse na PF eu ainda estava com muito medo de me arrepender, mas felizmente, isso não aconteceu. 

Desde quando eu entrei, eu perdi a conta de quantas vezes viajei a serviço. Um lugar mais dessemelhante que o outro. Conheci várias culturas e pessoas. Fiz amigo em muitos lugares. E apesar de a PRF ter viagens também, a quantidade é muito menor. Sei disso porque converso com os amigos que permaneceram lá. A maioria quase nunca viaja. 

Muitas pessoas me perguntam se eu me arrependo de ter trocado, e a resposta é: de jeito nenhum. Sinto saudades de algumas atividades da PRF, da organização, do relacionamento com os amigos. Mas onde estou agora estou mais feliz com o trabalho. Gosto das atribuições. 

Quando concurseiros me perguntam o que deveriam escolher, eu digo: foca no tipo de trabalho. Foca no que você quer fazer durante sua vida e esqueça as picuinhas e rixas. A não ser que um dia você queira ascender na carreira, aí você tem que pensar em um cargo de chefia. Agente, escrivão e papiloscopista da PF não são para você, definitivamente, se você ainda quer um dia ser chefe. 

Tenho amigos na PRF que não fariam a troca que eu fiz. Amam a liberdade de ação que tem, e até conseguiram cargos de chefia. Por isso que eu disse no começo, depende da percepção de cada um, e essa foi a minha percepção. 

Ps.: Como eu disse lá no início: MINHA exclusiva percepção sobre as duas instituições. Não é verdade absoluta e nenhuma é pior que a outra. Tudo depende dos objetivos que você tem para a sua vida. 

Pps.: Adicionem lá no instagram: @apfdonorte – lá posto um pouco mais dos retratos das aventuras. 

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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Drogas no Aeroporto - Nunca Duvide!

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Quando mudei de cidade no início do ano de 2020, saindo de uma delegacia descentralizada no interior para uma superintendência na capital, assim que cheguei já fui trabalhar no aeroporto da cidade, no setor de imigração. Nesse setor, a principal atividade, é atender os voos internacionais que chegam e que saem, fazendo a imigração de centenas de passageiros todo dia. O regime de trabalho é 24/72h, ou seja, trabalha 24h e folga 72h.

Mas, além de fazer a imigração, nós também atendemos aos chamados das companhias aéreas e dos funcionários do aeroporto para problemas com passageiros de voos domésticos que já estão do lado AR. O lado AR é aquela parte restrita do aeroporto, onde só podem entrar funcionários credenciados e passageiros que passaram pelo Raio X e detector de metais, o que inclui a sala de embarque dos passageiros.

Fiquei por cinco meses trabalhando no aeroporto e ganhando muita experiência. Mas todos que acompanham o blog aqui sabem que é muito comum eu me dar mal. E nada melhor do que você se dar mal para ganhar mais experiência ainda. E foi a minha falta de experiência que me fez cometer o erro que contarei para vocês abaixo:

Estava eu na salinha da PF, aproveitando para descansar num horário sem voos internacionais, quando tocou o telefone. Era um APAC (Agente de Proteção da Aviação Civil) - são aquelas pessoas que ficam normalmente no raio x dos aeroportos - me avisando que tinha uma mala suspeita no Raio X. Foi a primeira vez que me chamaram por esse motivo. Foi logo no primeiro mês de trabalho.

Como eu vinha de um interior que pegar droga no aeroporto era coisa rara, achei que não seria nada de mais. Fui ao Raio X e pedi para passarem a mala novamente. A imagem da máquina mostrava muitos tabletes de algo que parecia ser orgânico. Mas é muito comum, aqui na região norte, você abrir uma mala dessas e estar cheia de farinha, por exemplo. A farinha daqui é uma das melhores, e o pessoal leva para todos os cantos do Brasil. Achei que poderia ser isso.

E quem é policial sabe, você jamais abre a mala do passageiro sem estar na presença dele. Isso para não existir nenhuma dúvida de que alguém que não seja o próprio passageiro possa ter colocado algo dentro. Então mandei chamá-lo pelo rádio, na frequência da companhia aérea, para que ele fosse lá comigo. Dessa forma poderíamos abrir sua mala em sua presença. E fiquei aguardando, e esse foi meu erro. Mas fiz isso por não acreditar que poderia ser entorpecentes mesmo. Coisa de novato num aeroporto de grande porte.

Até que o funcionário da companhia aérea manda uma resposta pelo rádio: achamos o dono, estamos levando-o aí. Aguardei mais 1 minutos e o funcionário fala no rádio novamente: o passageiro está andando rápido para o estacionamento, disse que esqueceu algo no carro. Aí ficou suspeito demais. O cara ia viajar e esqueceu algo no carro? Então perguntamos: onde vocês estão? Ele demorou para explicar, o aeroporto é grande, e ele não explicava direito. Saímos procurando, mas nos desencontramos. E ele novamente se comunica, estamos no estacionamento do piso inferior, o passageiro saiu correndo.

Puta que pariu. Saí correndo pra encontrar o funcionário da companhia, que me disse apontando: lá vai ele. O cara já estava uns 200 metros de distância, e aumentando. Saí correndo atrás, nessas horas me arrependo de não ser um corredor. O vagaba sumiu na minha frente. Corri um quilômetro atrás dele, mas não alcancei. Estava quase morrendo já. Liguei para o colega pegar a viatura e ir me buscar. Se eu voltasse andando era capaz de ter um infarto. E olha que não sou gordo nem despreparado, mas o pique foi insano. A vontade de pegar o dono da mala era grande.

O colega me buscou, e resgatou uns APACs que tinham corrido junto comigo. Os caras foram parceiros, que esse nem é o trabalho deles. Conversando no percurso com algumas testemunhas, elas disseram que um homem com a descrição que demos pegou carona em uma moto. Acreditamos que era o comparsa que o aguardava fora do aeroporto caso desse algo errado.

Ao voltar para a sala do raio X, chamei algumas testemunhas, inclusive o colega da PF, e abrimos a mala. Eram uns 20 tabletes embalados a vácuo. Parecia muito com pacotes de café, só que não. Saquei o canivete tático e abri um para poder averiguar. Era skunk puro. O cheiro é inconfundível. Logo a sala toda ficou fedendo. Levamos a mala para a salinha da PF e começamos a tentar descobrir quem era esse cara que correu.

Todos, ao fazerem o check-in ou despachar mala, devem apresentar um documento. E a funcionária que o atendeu, por sorte, anotou o número do documento. Muitos no intuito de não serem descobertos usam documentos falsos, então esse documento poderia não significar nada. Mas, ao consultar os sistemas, achei uma foto. Mostrei essa foto para funcionários que o atenderam e bingo, ele foi reconhecido. Ele não foi preso em flagrante, mas será preso depois. Essa galera não para e uma hora a gente pega.

E foi assim que eu aprendi que não se deve pedir para o passageiro ir até você. Você vai lá e traz ele pelo braço. Eles normalmente não correm quando é um policial que está no seu encalço. E o meu erro foi ter deixado um funcionário da companhia aérea conduzir um suspeito de tráfico de drogas.

Depois desse dia, durante esses meses trabalhando no aeroporto, eu recebi vários chamados iguais. Quase todo plantão tinha uma ocorrência dessas. E agora eu ia com sangue nos olhos. Ninguém mais correu. Sempre eu ia buscar os passageiros lá dentro da sala de embarque. Trazia eles bem quietinhos até sua mala, abria a mala na presença deles, exatamente como manda o figurino. Acostumei a ver suas caras fingindo espanto e dizendo que não sabiam que aquela droga estava ali dentro, depois suas caras de tristeza e choro por terem sido pegos.

E esse foi um dos meus aprendizados. Na polícia nós temos um ditado que diz: Só a dor gera compreensão. Claro que isso não é 100% verdade, mas que a dor ajuda na compreensão, com certeza ajuda.

ps.: Pessoal, quem ainda não segue, @apfdonorte no instagram. Lá eu consigo interagir mais e com maior frequência. Sigam lá!

pps.: Compartilhem se vocês gostaram do texto.

ppps.: Quantos aqui gostam da série Aeroportos?

domingo, 19 de julho de 2020

Um dia de merda: Histórias quando era PRF

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Minha intenção ao escrever aqui nesse espaço é contar histórias de dentro da polícia. Coisas dos bastidores que muitas vezes a população em geral não fica sabendo. Normalmente o que a mídia mostra é o lado glamouroso da PF e PRF. Mostra o resultado das operações, como elas deram resultados e os figurões que foram presos. Quase nunca mostram o quanto o policial teve que suar e, até muitas vezes, se quebrar para conseguir um resultado. As pessoas acostumadas a ver a polícia sempre ganhando, podem falar: "O APF do Norte só se fode! Só conta as coisas que não deram certo". Conto esses causos porque para uma ação dar certo, houve muitas antes que deram errado. Mas chega de conversa mole, e vamos para mais uma vez que quase deu merda.

A UOP (posto da PRF) onde eu trabalhava ficava numa estrada que ligava a capital a uma cidadezinha do interior, um trecho de cento e poucos quilômetros. E nessa cidadezinha havia uma festa anual, quando eles sempre chamavam para alegrar a festa, de forma gratuita, na praça central, uma atração nacional famosa. Então o fluxo de carros aumentava demais nesse trecho. E, por isso, a PRF era obrigada a chamar Policiais Rodoviários das outras regionais para ajudar na fiscalização. 

Nessa UOP, nos dias normais, ficavam apenas 3 policiais no plantão. Na época dessa festa na cidadezinha, o efetivo era de uns 20 policiais por plantão. Eu nunca tinha visto tanto PRF junto. Além do efetivo extra vindo de fora, nós, que já éramos lotados lá, tínhamos que fazer plantões extras para conseguir dar conta da fiscalização de tamanho fluxo de veículos.

Para vocês terem uma ideia, chutando por baixo, o fluxo aumentava umas 50 vezes. Talvez até mais. E por causa do aumento do efetivo de policiais na UOP, a PRF, para garantir que ninguém ficasse sem ter o que comer, acabava providenciando o almoço e a janta, já que os quiosques que ficavam próximos não teriam condição de atender esse aumento no número de pedidos de almoço e janta. Nesse dia eu não pude almoçar a comida que a PRF forneceu, pois no horário eu estava longe, no trecho, fiscalizando. Então eu comi um lanche qualquer e vida que segue. 

Quando estava na hora da janta, a banda que era a atração da festa parou na UOP e pediu nossa ajuda (era uma banda famosa). Eles estavam indo de Van da capital para a cidadezinha, e o engarrafamento na entrada da cidadezinha era grande. Então eles perguntaram se era possível escoltá-los para que conseguissem chegar à praça central. O chefe perguntou quem gostaria de ir, e eu fui um dos que voluntariei. Nunca tinha feito esse tipo de trabalho, queria experimentar.

Se não tivéssemos feito essa escolta a eles, eles não teriam conseguido chegar. A cidade estava lotada, tanto de carro quanto de gente. Tivemos que ir abrindo caminho e segurando o fluxo para conseguir chegar até o local. A escolta demorou umas 3h ou mais. Só sei que quando chegamos de volta na UOP a janta estava fria e fora da geladeira desde o almoço (guardem essa informação). Quase todo mundo já tinha jantando. Esquentei a minha marmita no micro-ondas e mandei pra dentro. Estava morto de fome. Só tinha comido aquela besteirinha na hora almoço e mais nada.

O plantão tem duração, normalmente, de 24h, e nesses dias de festa e aumento de fluxo o descanso só é possível após tudo acalmar. Então, após a janta, continuamos a fiscalização na BR até a madrugada. Eu não lembro ao certo a hora, mas as coisas finalmente se acalmaram. E após frenética fiscalização, os policiais finalmente puderam começar a se recolher para um merecido descanso. Esse descanso nós chamamos de "quarto de hora". funciona assim: enquanto uns descansam os outros ficam acordados para qualquer eventualidade, e depois invertem-se os papéis.

Uma observação:

Antes que falem que dormir no plantão é muita folga, fiquem sabendo que se houver um acidente na BR, que pode ter acontecido a mais de 300km de distância, o PRF obrigatoriamente tem que ir atender. Se ele estiver exausto, por causa disso, há a chance de se envolver também em um acidente. Então, nada justifica ficar todo mundo acordado sem fazer nada. Melhor descansar e guardar energia para o momento adequado.

Fim da observação.

Como a UOP era pequena e não tinha espaço para todo mundo, então havia muitos policiais dormindo em colchonetes, em sacos de dormir e até mesmo dentro das viaturas. Uns na sala, outros nos alojamentos. Esse esforço é o que ninguém normalmente fica sabendo. Você está descansando no conforto da sua cama, enquanto tem gente que defende você e está dormindo mal, apertado e longe da família. A profissão está longe de ser só glamour.

Acordei do "quarto de hora" por volta das 6h da manhã. Consegui dormir quase nada. Era muita gente entrando e saindo, não conseguia relaxar. E, quando acordei, fui lavar o rosto e escovar os dentes. Só que ambos os banheiros da UOP estavam ocupados. É muito raro isso acontecer. Achei estranho. Então decidi ir no banheiro dos usuários da via. É um banheiro fora da UOP que qualquer um que esteja passando pode usar. Fica sempre aberto e, na medida do possível, limpo. Depois fui tomar um café para aguardar a rendição. O plantão acabava 8h da manhã.

Descobri, conversando com os colegas, que muitos haviam passado mal por causa da comida do dia anterior (lembram que tinha ficado fora da geladeira?). Passaram a madrugada vomitando ou no banheiro! Comecei a me preocupar. Até então não tinha sentido nada.

A rendição, nesse dia, não seria na própria UOP, como era de costume, seria feita no início da BR, por motivos de logística. Normalmente os colegas vão até a UOP e nos rendem. Nesse dia nós iríamos encontrá-los com as viaturas ostensivas e eles chegariam para nos render com as viaturas veladas (que não são identificadas e nem pintadas nas cores da polícia), trocaríamos de viaturas, e cada um seguiria para seu destino: eles para a UOP e nós para a Superintendência na capital. Só que desse ponto da troca até a superintendência era mais 1h e meia de trajeto, dependendo ainda do trânsito. E esse tempo de trajeto começou a me preocupar, já que eu acabara de sentir uma pontada na altura do intestino que me avisava: chegue logo num banheiro!

Cutuquei o colega e falei: mermão, acelera aí senão vai dar merda. E o colega começou a rir. Eu falei: é sério, porra, tô suando frio aqui. Quem já teve dor de barriga de comida estragada sabe do que eu estou falando. Aí ele me olhou sério e perguntou: tá nesse nível? Eu falei: sim. Então ele pisou fundo. Mas lembrem que eu falei que seria pelo menos mais 1h30min? Pois é, não ia dar tempo.

A floresta começou a ficar atraente. Fiquei pensando, entre uma cólica e outra, se eu deveria pedir pra ele parar ali mesmo, pra eu correr pro mato. Nessa hora a minha camisa, mesmo no ar-condicionado, já estava encharcada de suor. Foi então que vi um posto de gasolina de beira de estrada. Eu conhecia o posto, trabalhava naquele trecho a algum tempo, mas não sabia as condições do banheiro deles. Mesmo assim pedi para o colega encostar. Ele parou perto de onde era o banheiro e fui lá ver.

Era pior do que você possa imaginar. O banheiro nem porta tinha. Por mais vontade que eu tivesse, minha dignidade não me deixava usar aquilo. Então resolvi recorrer ao gerente do posto. Perguntei dele se tinha banheiro, e ele me disse que era aquele lá atrás. Eu estava fardado, tive que recorrer, e falei: amigão, aquele banheiro nem tem porta, e isso é uma emergência policial. Ele percebeu meu desespero e falou: pede a chave dos frentistas.

Isso foi engraçado porque eu olhei pro frentista que estava longe e falei: irmão, a chave do banheiro, pode me emprestar. Acho que na minha cara estava estampado meu desespero, porque ele sacou a chave rapidamente do bolso e arremessou-a pra mim. Sucesso. Banheiro limpinho. Papel de emergência na mão. Mais uma operação bem sucedida, depois de alguns sacrifícios.

E descobri depois, conversando com os colegas, que uns 70% daqueles que trabalharam naquele dia foram abatidos por causa da comida servida. Depois desse dia aprendi. Nada me faz comer comida que ficou fora da geladeira aqui no nosso clima. Fico com fome, mas pelo menos com a dignidade íntegra.

ps.: Pessoal, comentem aí se vocês curtem essas histórias de bastidores.

pps.: Não esquecem de seguirem lá no Instagram: @apfdonorte

ppps.: Tem um cupom de desconto válido para o Missão Papa-Fox. Clique aqui!

pppps.: Se acharem algum erro, favor informar. Eu sou meu próprio editor. Ajudem aí, senhores.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Cupom de desconto para o Projeto Missão Papa-Fox

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Finalmente um descontinho para o melhor projeto de simulados para carreiras policiais!

Pessoal, quem me acompanha no Instagram sabe que eu enchi o saco do pessoal no Projeto Missão Papa-Fox para ganhar um cupom de desconto para os leitores do blog e seguidores.

O Missão Papa-Fox foi um dos grandes responsáveis pela minha aprovação. Por meio dos simulados eu sabia exatamente onde precisava melhorar. E quando me perguntam por aqui ou pelo Insta o que eu recomendo para aumentarem as chances de serem aprovados, sempre respondo: Questões e simulados do missão papa-fox.

E, acho que por isso, eles finalmente liberaram um cupom de 15% de desconto. Na verdade eles liberaram faz 2 dias, eu comi mosca e só vi agora no e-mail.

Quero que fique bem claro que eu não estou recebendo absolutamente nada por isso, e nem é minha intenção. Sei que tem muita gente com a grana curta, espero conseguir ajudar o máximo de pessoas possível.

Quero agradecer de coração o pessoal do Projeto Missão, que faz um excelente trabalho mesmo.

Clique aqui para ir para a turma para qual o desconto vale!

Cupom: Pergunte-me do Instagram por direct. Tem que estar me seguindo (@apfdonorte) e seguindo o Projeto Missão (@projetosmissao), e marcar um amigo na postagem do Instagram. Marque quantos amigos você acha que tem interesse nesse desconto.

O cupom dá um desconto de 15%. O Valor da turma normal é R$ 150,00, com o cupom fica R$ 127.00.

Espero realmente que ajude.

domingo, 12 de julho de 2020

Quem tem cu tem medo

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A coragem e o medo.
Nas delegacias descentralizadas, que são aquelas que ficam nas nossas fronteiras, o trabalho do Agente de Polícia Federal é quase que um fazer de tudo um pouco. Diferentemente das Superintendências, que você normalmente fica lotado em uma delegacia específica, e só trabalha com aquele tipo de investigação. E, um dos serviços que fazíamos muito era a entrega de intimações. Só que o mais difícil dessa atividade nessas cidades pequenas do interior, não é a entrega da intimação propriamente dita, é saber onde entregar, e como chegar lá!

A cidade é habitada basicamente por pessoas de baixa ou baixíssima renda. Grande parte deles vivem do bolsa família. E muitos trocam de casa como verdadeiros nômades, isso quando não moram em um sítio longe, que só é possível chegar viajando horas pela estrada ou, até mesmo, navegando alguns dias de barco.

Por causa dessas características peculiares fica difícil achar o endereço atual, já que esse troca-troca de residência faz com que rapidamente os bancos de dados a que temos acesso fiquem desatualizados. E aí você parte para encontrar o telefone. Os números são trocados mais que mudas de roupas. Mas algumas vezes ainda é possível conseguir. Mas no caso de não achar endereços atualizados nem telefones e nenhum banco de dados, o jeito é sair perguntando dos ex vizinhos e parentes, para tentar fazer a localização da pessoa. 

E nós estávamos numa missão dessas: intimar uma pessoa que teria que dar esclarecimentos lá na delegacia. Não achamos porra nenhuma de endereços nem telefones, então partimos para rua. Depois de uma busca do capeta, perguntando daqui, procurando dali, fomos informados que a pessoa a ser intimada morava numa viela próxima ao rio. Só que nem era certeza ainda. Porque as pessoas nos informam assim: "fiquei sabendo que ela se mudou para o endereço X". E aí você vai no Google e procura o nome da possível rua até achar, isso quando sabem o nome de rua. A maioria das vezes nos informam por referência: "Ah, você que falar com fulano? Mora no entroncamento da padaria do Zé com a marmoraria do João, fica logo ao lado, conhece?" Como é cidade pequena, para nossa sorte, após apontada a direção da possível residência, acabamos achando a rua, e lá nesse novo endereço começa nosso perrengue novamente de perguntar e perguntar. Algumas vezes achamos, mas nem sempre.

E nessa incursão de procura e não acha que eu e um colega nos deparamos com uma situação complicada. Após passar a manhã toda buscando uma pessoa que deveria ser intimada, chegamos numas palafitas localizadas em cima de um mangue da cidade, na beira do rio. Aqui chamamos essas áreas de várzea, que é onde o rio alaga quando enche. Não tinha como entrar com a viatura, era muito estreita. E, o lugar era sabidamente uma área vermelha da cidade, por ser dominada por uma conhecida facção criminosa.

Na entrada da viela havia um moleque comento uma marmita, com todo jeito de ser um olheiro dessa facção, e duas meninas com características de usuário, sendo que uma usava uma tornozeleira do tipo que dão quando se sai da penitenciária. Não dá para esconder a profissão, e nem inventar história, mesmo estando à paisana, já que na cidade todos sabem que você é policial. E essas pessoas sentem o nosso cheiro. Perguntamos pelo nome de quem queríamos intimar. Falaram que não conheciam. A partir daí tínhamos duas opções: entrar no beco ou sair dali.

Enquanto nos olhavam, nos afastamos um pouco e conversamos entre nós se valia a pena entrar, e decidimos que não valia. Era um lugar apertado, sem rotas de fuga. Não havia para onde correr e nem onde se esconder caso aparecesse mais gente e quisessem nos emboscar. Não tem nenhuma justificativa você querer dar uma de herói para nada, muito menos para fazer uma mera intimação. Nem tínhamos certeza se era ali mesmo que quem procurávamos morava. Então achamos que seria a hora de nos recolhermos. Andamos um passo para trás, para depois andar dois para frente.

Não é vergonha sentir medo. O medo é aquilo que faz você ficar seguro. Eu não me lembro se achamos essa pessoa depois em outro endereço ou se simplesmente não encontramos, mas quis relatar aqui uma situação de perigo que achamos que não valia correr o risco, mesmo sendo policiais treinados. É impossível ganhar todas, o que não pode acontecer é deixar morrer.

ps.: Pessoal, não esqueçam de compartilhar se gostarem do texto.
pps.: Sigam no insta: @apfdonorte