quarta-feira, 24 de abril de 2019

Enxoval do Curso de Formação Profissional - ANP 2019

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Senhoras e senhores, futuros novinhos e novinhas da Polícia Federal, vamos falar do enxoval da Academia da Polícia Federal, ANP 2019. Esse é o enxoval da ANP de 2019. Colocarei os itens, conforme edital, e um comentário abaixo. Minha intenção é ajudar os futuros Novinhos. Os materiais operacionais que não forem comprados dentro da ANP poderão ser adquiridos em quaisquer lojas militares.


20.4 DO ENXOVAL DO CURSO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
20.4.1 Material que o candidato convocado para o Curso de Formação Profissional deverá levar para as atividades na Academia Nacional de Polícia:
a) material de higiene pessoal;
                - Materiais que você leva para qualquer viagem: desodorante, pasta, escova, perfume, talco para os pés, xampu, condicionador. Recomendo demais levar protetor solar e labial. Muitas instruções são no sol, como as aulas de tiro e direção operacional, e se você não usar protetor, vai sofrer.
b) toalhas de banho (duas, no mínimo);
c) toalhas de rosto (duas, no mínimo);
d) lençóis, colchas para cama de solteiro e fronhas (duas peças de cada, no mínimo);
e) travesseiro;
f) cobertor;

                - Para os itens b, c, d, e, f, farei um comentário único: ninguém confere isso na sua chegada. Eles dizem que são no mínimo duas peças para ajudar o candidato. Porque uma hora as coisas precisam ser lavadas. E se você não tiver outro, vai ficar sem enquanto estão sendo lavadas. Na ANP terão algumas lavanderias disponíveis para lavarem suas roupas por um excelente preço. Há quem as lave no próprio alojamento para economizar, mas com o valor da bolsa dá para pagar as lavanderias perfeitamente.

g) traje social para a solenidade de formatura (terno para os homens e social discreto para as mulheres);
                - Aqui é isso mesmo. E você só vai usar isso no dia da formatura. Se quiser levar depois, pode levar. Como eu disse no item anterior, ninguém confere. Se você for de fora de Brasília e quiser pedir para alguém levar para você quando chegar o dia da formatura, pode. É até melhor que não fica entulhando seu guarda roupas no alojamento, que já é pequeno.

h) calçados totalmente pretos (tênis, botas ou botinas);
                - Pessoal, levem o mais confortável possível. Esse será o seu calçado do dia a dia. No coturno eu recomendo colocar uma palmilha confortável.

i) meias pretas;
                - Recomendo de cano alto para usar com coturno. Levem duas ou três. Essas meias você usará todo dia.

j) bermuda tipo ciclista, na cor preta (duas, somente para as mulheres);
                - Para a educação física. Usar com o short.

k) tênis apropriado para a prática de corrida (cores discretas);
                - Eles pedem cores discretas, mas vi de todas as cores sem problema. Mas eu levaria de cor discreta.

l) meias na cor branca para as aulas de Treinamento Físico;
                - Leve duas dessas para atividade física. Não pode usar as meias pretas nesse caso. Mas você não usará todos os dias.

m) top preto (somente para as mulheres);
                - Leve um. É para a pratica de Ed. Física também. Mas normalmente eles são de tecido que seca fácil. Dá para passar uma água quando chegar no alojamento. E pela secura que é Brasília, as roupas secam em pouquíssimas horas.

n) bermuda térmica (opcional para proteção em corridas);
                - Recomendo demais. Inclusive recomendo usar no dia a dia para evitar assaduras. Item essencial. Levem duas. Mesmo motivo do top das meninas, dá para lavar e secar no mesmo dia.

o) sunga, na cor preta (para os homens) e maiô de peça única, na cor preta (para as mulheres);
                - Leve só uma peça. Serão utilizados nas primeiras aulas de natação. Depois as aulas serão com a roupa operacional.

p) camiseta de neoprene, na cor preta, para natação (opcional).
                - Não vi ninguém usando isso.

q) óculos e touca de natação (opcional);
                - Recomendo esses itens. Lembrando que a natação é prova do TAF e é eliminatório.

r) chinelo de dedo de borracha, na cor preta;
                - Leve e marque o seu. Porque serão 40 alunos com chinelo preto. Nas aulas isso gera confusão. Serão usados nas aulas de natação e nas aulas de defesa policial.

s) capa transparente para chuva;
                - Leve, mas não vi ninguém usando.

t) luvas de MMA;
                - As mais baratas possível. Na minha academia ninguém nem usou.

u) protetor bucal;
                - Não vi ninguém usar. Talvez mudem alguma coisa nessa ANP. Levem os mais baratos possível. Normalmente esses protetores têm tamanho único, e você precisa colocar na água quente para moldar na boca a primeira vez. Então compre e leia as instruções. Não leve sem abrir antes.

v) bandagem para luva de boxe;
                - Usávamos as luvas de boxe com as luvas de látex. Mas podem ter mudado.

w) máscara para RCP: máscara com válvula e estojo de bolso dobrável, com entrada para O2, filtro e válvula de não retorno.
                - Usadas nas aulas de primeiros socorros. Leve as mais baratas.

x) luvas de látex para procedimento cirúrgico (dez pares, no mínimo);
                - Isso é um item importante. É barato e muito útil. Eu sempre andava com um par no bolso.

y) porta luvas de látex (opcional);
                - Leve no bolso. Não gaste dinheiro com isso.

z) atadura de crepom de 15 cm (cinco unidades);
                - Na minha época não precisava. Então, não tenho comentários.

aa) gaze (cinco unidades);
                - Mesma coisa do item anterior.

ab) calça e gandola operacional camuflados, na cor padrão "multicam";
                - Vocês também poderão usar essa roupa camuflada no dia a dia depois de tomado posse. Eu recomendo comprar de qualidade. Lá na ANP será usada para as aulas de “selva” e na natação. Eu tenho a minha até hoje.

ac) bota operacional de sola de borracha na cor preta extra leve;
                - Recomendo utilizar o mais barato com zíper, para facilitar. Coloque uma palmilha confortável. Os atalaias são recomendados. O coturno será usado nas aulas de “selva” e na natação também. Não recomendo comprar botas caras. Essa tem que ser bota pé duro, que aguente o tranco.

ad) joelheira operacional tática, cor preta;
                - Não compre de skate ou patins. Elas saem do lugar durante as aulas. Mas não gaste muito. Você só as utilizará na ANP.

ae) cotoveleira tática, cor preta (opcional);
                - Provavelmente serão usadas para as aulas de tiro deitado. Não vi ninguém usando. Mas se tá aí, leve. Mas não gaste muito. Caso o orçamento esteja apertado, espere para ver se realmente vão utilizar. Muitas vezes os equipamentos são usados somente uma vez, aí não vale a pena gastar.

af) algemas com chave e porta algemas;
                - Compre uma de qualidade. Você usará para o resto da vida. E lembre-se de comprar com chave universal, para que qualquer chave abra. Nas aulas você será algemado e “desalgemado” diversas vezes. Eu recomendo a algema de corrente. Mais fácil de manusear e quando você for algemado, menor sofrimento. E por favor, não compre em sex shop, não são a mesma coisa.

ag) lanterna tática, com no mínimo 120 lúmens, com bateria e porta-lanterna tática;
                - Compre a mais baratinha. Ela é pouquíssimo usada e qualquer uma dá conta.

ah) cinto em nylon preto (tipo SWAT BDU) – medidas da fita de aproximadamente 3,8 cm de largura e espessura de aproximadamente 0,2 cm;
                - Qualquer um. Esse cinto é indestrutível. Você usará para o resto da vida.

ai) bastão retrátil em aço com 21’’ (aproximadamente 50 cm de comprimento), com porta-bastão para cinto tático;
                - Pessoal, esse bastão você também poderá usar para o resto da vida. Mas recomendo comprar um barato para a ANP. E o mais leve possível. As aulas destroem o bastão. Na minha academia eles forneceram um cano de plástico para essas aulas, porque os bastões estavam quebrando. Se ele não quebrar, ele empena e você não consegue mais retraí-lo. Então leve um barato, porque se quebrar o prejuízo é menor. E se não precisar usá-lo, também.

aj) computador portátil (notebook, ultrabook, laptop), com configuração mínima de processador dual-core com 2 GB de memória RAM, com conexão wi-fi, ao menos uma entrada USB, armazenamento interno de no mínimo 128 GB, com os seguintes softwares instalados: (i) leitor de PDF; (ii) suíte de escritório (editor de texto, editor de planilhas eletrônicas e editor de apresentação); (iii) navegador de internet;
                - Na minha ANP eles forneciam. Mas esse notebook é para você poder estudar. Todo o material é fornecido em PDF. E você vai usar. Então leve o notebook que você tiver.

ak) pendrive de no mínimo 8 GB.
                - Alguma dúvida?

20.4.1.1 Para os candidatos que comprovarem hipossuficiência, poderá ser fornecido computador portátil (notebook, ultrabook, laptop), de acordo com o estoque disponível na Academia Nacional de Polícia.
                - Caso você não tenha um.

20.4.2 Material que o candidato deverá adquirir na Academia Nacional de Polícia:
a) agasalho, padrão ANP;
b) boné preto com emblema da ANP;
c) calças pretas ripstop, padrão ANP (duas);
d) camiseta branca regata, padrão ANP (duas);
e) camiseta branca de mangas curtas e gola redonda, padrão ANP - eixo operacional (três);
f) camisa polo, padrão ANP (duas);
g) cinto de nylon preto com velcro de 3,5 cm;
h) coldre para saque de arma de porte "velado" no material "Kydex" ou polímero, na cor preta;
i) coldre para saque de arma de porte "ostensivo" no material "Kydex" ou polímero, na cor preta;
j) óculos de segurança transparentes com proteção lateral para instruções de armamento e tiro;
k) protetor auricular/abafador externo, tipo concha;
l) protetor auricular interno descartável (duas unidades, no mínimo);
m) short azul Royal, padrão ANP (somente para os homens);
               
                - Esse material acima você comprará lá na ANP depois que fizer a matrícula. A loja lá saberá exatamente o que você precisa. Então o que posso falar é: eles parcelam e também você pode pagar durante o curso, quando for recebendo a bolsa. Eles aceitam cartão também.

20.4.3 O material didático a ser utilizado durante o Curso de Formação Profissional fica a critério do candidato, incluindo: Código Penal, Código de Processo Penal e Constituição Federal atualizados.
                - Não levem. Peso extra e não serão utilizados. Leram bem: NÃO LEVEM.

20.4.4 Só serão permitidas uma mala e uma sacola por aluno no alojamento.
                - Isso não foi fiscalizado na minha ANP. Mas os alojamentos são apertados. Então não leve muita coisa. Leve somente o necessário. Lembre-se que você só poderá sair da ANP nos finais de semana. Mas pode levar mala e mochila. Mala e sacola. Mala, sacola e mochila. Mas sem exageros.
                UPDATE: Pessoal, LEVEM mochila. Ela será útil demais. São muitos materiais e roupa para diferentes aulas. E durante as aulas não pode voltar no alojamento para buscar material. Então quando você sai de manhã, precisa levar tudo que vai usar pela manhã. Porque só pode voltar para o alojamento durante o almoço.

No mais é isso. Aproveitem o máximo possível. Boa Academia, Novinhos.

domingo, 7 de abril de 2019

Viagens e missões de um Policial Federal

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Já se imaginou viajando no helicóptero co CAOP da Polícia Federal?


Pessoal, nos comentários muita gente tem me perguntado sobre as viagens que fazemos pela Polícia Federal. Com qual frequência, se somos obrigados a ir, como funciona a escala. E se tiver esposa (o), namorada (o), filhos (as), como funciona?

Se você deseja ser PF, tem que colocar na cabeça que, mesmo não querendo, terá que viajar. A Polícia Federal deflagra mais de 2 operações por dia no Brasil todo. As operações normalmente demandam policiais de todas as lotações daquele estado e algumas operações ainda demandam policiais de estados vizinhos. Então, com um cálculo simples, podemos determinas aproximadamente a média de viagens para deflagrações que você fará por ano, ao entrar no DPF. 

São 27 estados, já incluindo o Distrito Federal. São aproximadamente duas deflagrações por dia, ou seja 730 deflagrações no ano. Dividindo isso pelo número de estados, são aproximadamente 27 deflagrações por estado. Claro que nem toda operação precisa de gente do estado todo, e nunca irão todos os policiais de uma lotação, senão a delegacia ficaria vazia, e isso não pode. Supondo que vá em média um quinto dos policiais da sua delegacia/lotação em cada deflagração do seu estado, isso dá uma participação sua em cada 5 deflagrações. Ou seja, você viajará para deflagrações, em média, 5 vezes por ano. Essas viagens normalmente são de curta duração, mas são bem cansativas. Normalmente você tem um dia para o deslocamento de ida até a cidade onde ocorrerá a operação, um dia para a deflagração, e um dia para deslocamento de retorno.

Mas nem só de viagens curtas vive um Policial Federal. Há muitas missões permanente no Brasil, além de algumas necessidades de "tapar buracos" também. As missões permanente são normalmente em locais que não há lotação fixa, mas tem um posto da PF sempre funcionando. Normalmente nas fronteiras, como por exemplo em São Gabriel da Cachoeira/AM e Assis Brasil/AC, além de alguns aeroportos onde falta efetivo policial. Essas missões normalmente tem duração de 60 dias. Nessas operações permanentes normalmente o serviço é operacional no sentido de trabalhar com o público (aeroportos, imigração) ou no patrulhamento e fiscalização de fronteiras (rios e florestas).

As missões "tapa buracos" normalmente funcionam quando uma lotação específica está com falta de pessoal. Então o chefe de lá informa à superintendência (caso seja uma delegacia descentralizada) ou à Brasília (caso seja uma superintendência) o motivo de estar faltando pessoal e a necessidade de ir mais gente para lá. Aí pode cair no seu colo uma viagem dessas. Normalmente dura 60 dias também. E eu chamo de tapa buracos porque seu serviço será exatamente esse: fazer o que ninguém, na lotação a qual você chegou de missão, quer fazer.

Por último, existem as viagens para acompanhar outros órgãos de fiscalização. Por exemplo IBAMA e FUNAI. Essas missões são, na minha opinião de novinho, as mais "sugadas". São aquelas que cansam mais. Porque normalmente você dorme em redes na casa de ribeirinhos ou nas tribos, além de muitas horas de caminhada em matos ou dentro de uma voadeira nos rios. Isso porque com o IBAMA você vai fiscalizar os crimes ambientais, e esse criminosos fazem isso no meio da floresta normalmente. E com a FUNAI, vai ajudar com a causa dos indígenas, normalmente são os que moram nas tribos. E quase sempre fica longe das cidades.

Você pode se negar a ir nessas missões? Não. Simples assim. Por isso que normalmente há uma escala de viagens nas delegacias e superintendências, para saber de quem é a vez de viajar. Há policial que goste, e há policial que não goste. Já vi colega que gosta ir no lugar do que não gosta, e tudo se resolveu entre colegas mesmo. Essa é a única forma de não viajar, achar alguém para ir no seu lugar.

Não importa se você tem ou não tem família, irá viajar, e muito! Basta o chefe querer, e fazer sua OM (ordem de missão). Como eu sempre gostei de viajar, isso é um prato cheio para mim. Além de conhecer diversos lugares que você jamais quereria ir pagando, você ganha as diárias, e conhece muita gente. Eu sempre penso no lado positivo dessas viagens, e sempre me divirto. Já vi colegas agoniados para voltarem ou ansioso não querendo ir. Uma vez meu chefe me chamou e disse: acho que você é o APF que mais viaja na delegacia. Isso porque eu sempre sou voluntário quando perguntam quem quer viajar.

Então, caso queira realmente ser Policial Federal, saiba que nem tudo são flores. Há muito trabalho a ser feito. E que sempre você pode tirar uma experiência boa, mesmo nos momentos mais cansativos. Sua família tem que estar ciente de que isso vai fazer parte do seu trabalho, e te apoiar nesses momentos. Porque tudo que você não precisa é viajar preocupado com quem ficou. Depois de ler esse texto, você acha que está preparado?

domingo, 17 de março de 2019

ANP - Academia Nacional de Polícia - PF - Não se lesione jamais!

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Estamos na véspera de começar mais uma ANP - Academia Nacional de Polícia - da Polícia Federal. Muitos candidatos ansiosos e muitos me perguntando como funciona a atividade física na academia. Vou falar um pouco aqui, mas a principal dica é: NUNCA SE LESIONE.

Na academia da Polícia Federal qualquer lesão é motivo de desligamento. Lá vai haver atividades físicas, como por exemplo: corrida, natação, pista de obstáculo, exercícios funcionais, defesa policial, e mais algumas atividades que não são exatamente físicas propositalmente, mas que podem causar lesão, como patrulha noturna no mato (pisar num buraco e torcer o tornozelo, por exemplo.), corridas de uma aula para a outra (tropeçar e cair), corrida para o alojamento para pegar material esquecido (acontece com todos - tropeçar e cair, pisar de mau jeito e torcer o tornozelo).

Nessas atividades, evite a todo custo se machucar. Senhores, a ANP é parte do concurso, e ser eliminado nela significa jogar fora todo o esforço feito até agora. Prestem atenção: não vale a pena se lesionar para provar que aguenta porrada, que é resistente. Não vale a pena perder tudo por causa do ego. Não jogue tudo fora. 

Os professores falarão para você dar o seu máximo, chutar forte, socar forte, pular alto, se jogar no chão, gritar, espernear, ser resistente, deixar de moleza. Não faça isso. Não exagere. Principalmente nas aulas de defesa pessoal. Lá existirão golpes que se aplicados de fato podem lesionar você e o colega. Finja, seja o maior ator do mundo, mas não seja idiota de perder o concurso por causa de uma fratura ou torção. Esse mesmo professor que manda você dar seu máximo, é aquele que vai te mandar pra coordenação porque você se quebrou. Um aluno perdeu a ANP porque fraturou a falange de um dos dedos da mão. Nenhum professor ou coordenador teve pena dele.

Outra dica: agora que ainda não começou a ANP e você já está aprovado, evite atividades que podem te lesionar. Se você é praticante de artes marciais, pare. Não jogue bola. Deixe para fazer isso tudo depois da academia.

É para não aproveitar a academia? Claro que não. Aproveite a academia moderadamente. Não acredite em tudo que falam lá. Se mesmo com todos esses cuidados você se machucar, nunca vá no médico da PF. ele não tem dó. Aguarde até o sábado para ir no médico fora da academia. Disfarce qualquer lesão possível de ser disfarçada. Peça ajuda aos colegas da turma. NUNCA confie no orientador. Ele está do lado do sistema. E ele não terá pena de eliminar você. Inclusive: fará isso rindo.

Vi um caso de um aluno que estava com o pé quebrado. Aguentou a dor a academia toda. Não falou para ninguém e se formou. Outro que rompeu os ligamentos do joelho. Foi no médico de fora da academia. Escondíamos ele nas atividades mais prejudiciais. E ele se formou.

Você nadar e morrer na praia é a pior sensação do mundo. Vi acontecer com alguns colegas na ANP. Uma amiga se lesionou na pista de obstáculos. Não pôde continuar, foi eliminada, voltou sub judice, mas não tomou posse até hoje. Felizmente ela passou esse ano novamente, mas já se foram 4 anos e com certeza, muitos gastos com estudos e tempo perdido.

ps.: Seja audaz já na academia. 
pps.: Na sua vida funcional você precisará mentir demais, comece na academia a treinar.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Nos filmes de ação policial sempre funciona...

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Como o título dessa postagem diz: nos filmes de ação sempre funciona. Pelo menos nos filmes policiais sérios, que são aqueles que não são de comédia, tipo “Loucademia de Polícia”. Acontece assim: O policial brabão vai lá, bate na porta da casa do bandido malvadão. O bandido malvadão não abre. E aí, o que o policial brabão faz? Chuta a porta. E, com apenas um chute, ela abre e o bandido malvadão que estava bem atrás, sai voando. E acreditando nessa premissa “chuta que abre” como verdadeira, eu entrei na polícia.

Aqui na Polícia Federal nós fazemos busca e apreensão com alguma frequência. Faz parte da investigação, como vemos na TV mesmo. Se procurarmos as estatísticas da polícia federal, no Brasil todo, somamos mais de uma operação deflagrada por dia. E muitas outras buscas sem estarem em operações grandes, principalmente nos interiores desse nosso Brasil de muitas fronteiras. Aqui a gente também trabalha, mas a mídia nacional normalmente só mostra o trabalho da PF dos grandes centros.

Pois chega de lorota e vamos para a história: um dia chegou uma ordem de missão com os seguintes dizeres: amanhã de madrugada, todos aqui na delegacia, pois faremos algumas buscas e apreensões pela cidade (claro que a ordem de missão é mais específica, esse é apenas o resumo dela). Porque vocês sabem que a Polícia Federal gosta de acordar os outros cedo né, tipo testemunha de jeová, só que um pouco menos invasivo!

E então, no dia seguinte, pouco antes de amanhecer, partimos para a casa do nosso alvo. Procurar entorpecentes era o objetivo. Chegando lá, a casa era rodeada por uma cerca de madeira, com o portão também de madeira. Não dava para pular, e não tínhamos levado escada. Por que o bom mesmo é acordar o “mala” batendo na porta do quarto dele, não na porta de fora da casa! Entrarmos sem sermos notados e, quando o meliante acorda, está olhando para nós, vestidos de preto – estilo tropa de elite, só que sem o tapa na cara e com ordem judicial.

Pois bem, como não tinha jeito de entrar de forma a não sermos percebidos, batemos palmas e começamos a chamar (sim, não somos só tiro, explosão e bomba). Mas nada de o cidadão aparecer para nos franquear obrigatoriamente o acesso a sua casa. Então perguntei ao delegado da equipe: posso chutar? E ele respondeu: pode!

Meus olhos brilharam. Agora eu vou ser o policial brabão. Nem acreditava. Realização de um sonho. E eu, vestido de preto, Polícia Federal escrito em dourado nas minha costas, com um coturno brilhando, peguei distância e meti o pé no portão, com toda a força disponível. O que aconteceu: o portão foi e voltou. A cerca de madeira, flexível, amorteceu o chute e nada aconteceu. E eu prossegui chutando, e o portão balançava, indo e vindo, mas não abrindo. Foram uns 10 chutes ou mais, e nada de o portão abrir. Cacete, nos filmes policiais não é assim, é sempre mais fácil, pensei!

Até que, por causa do barulho dos chutes, o dono da casa acordou e foi lá fora ver o que estava acontecendo. Eu, percebendo o quão inútil era eu chutar, já tinha parado. Assim que ele abriu a porta da casa, o delegado informou o porquê de estarmos lá. Então o “mala” se dirigiu ao portão, desentortou um prego que travava o portão, e abriu. Sério, era um mero prego que segurava o portão fechado. Fico imaginando como o policial do filme abre com apenas um chute aquelas portas de segurança! Desilusão total.

Lição aprendida: leve uma escada, alicate, e abra por dentro. Já aconteceu de a entrada da casa ser uma grade de ferro e, nesse caso, tivemos que cortar o cadeado para abrir. Ou seja: a maioria das vezes só o chute não resolve.

sábado, 26 de maio de 2018

Apenas um desabafo. Polícia Federal: Sonho ou pesadelo?

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Polícia Federal: Sonho ou Pesadelo?

A gestão do capital humano na Polícia Federal deveria se preocupar mais com a satisfação do seu pessoal, tratando como peça essencial para o sucesso do órgão, reconhecendo o valor de cada um. Esse reconhecimento gera um policial federal mais envolvido e comprometido com a instituição, MOTIVADO, fazendo ele se sentir parte da PF, havendo, assim, uma identificação pessoal com o órgão. E isso é fundamental para a saúde de ambos: Servidor e Polícia Federal.
Vendo a atual desmotivação de grande parte do efetivo policial, não acho que a gestão de pessoal esteja se preocupando de nenhuma forma com os seres humanos policiais. Isso começa na ANP, com a tentativa de eliminar cada aluno. Vi alunos sendo eliminados sem nenhum critério ou por motivos insignificantes com justificativas do tipo: por que sim. Posso dar como exemplo um aluno que numa aula de defesa pessoal fraturou a última falange do dedo anelar. E, mesmo isso não causando nenhum prejuízo e nenhuma atividade, ele foi eliminado. Isso já começa a causar frustração.
O código penal ordena que “não há crime sem lei anterior que o defina e não há pena sem previa cominação legal”. Na academia o crime é definido na hora. Sem regra anterior. E a pena é dá cabeça de cada gestor. Cada aluno deveria ser tratado como uma pessoa viva, e não como apenas um número. São sonhos de uma vida que estão em jogo. E frustrar sonhos não ajuda a motivar. Criar regras claras e transparentes já seria um bom começo.
Ao tomar posse jogam você na sua cadeira e falam: faz isso. Não há conversa. Não há reuniões. Não há feedbacks. Ou faz ou eu mando outro fazer! É assim que acontece na maioria das vezes. Não há treinamento dos gestores para gerirem de fato. Cada um faz da sua cabeça, sem nenhuma uniformidade de uma gestão para outra. Faz o servidor pensar: “o que eu estou fazendo aqui? Isso não é minha casa e parece que nunca será”. Não há perspectiva de melhora. E essa falta de perspectiva é muito desmotivadora. Treinar os gestores para entenderem o que deve ser feito e como deve ser feito seria uma boa forma de começar a mudar essa situação.
Não há meritocracia de fato. Os servidores que desenvolvem ótimos trabalhos, ao invés de receberem benefícios, recebem mais trabalho. Os servidores ruins são beneficiados com pouco trabalho e com viagens e remoções, já que ninguém os quer por perto. Os gestores que conheço não se preocupam em saber o porquê da desmotivação. Um exemplo de “prêmio” para bons servidores seria, por exemplo, uma missão em casa – para quem está fora de casa – ou o direito de escolher férias primeiro que os outros, por exemplo. Deveriam haver métricas objetivas para mensurar a qualidade do trabalho de cada um.
A gestão de pessoal vai desde se preocupar com o ambiente onde acontece o trabalho, até cuidar da própria saúde do servidor. Não só pensar que o servidor ganha o salário dele todo mês, então tem que fazer o que eu mando sem questionar. Isso empobrece a polícia federal como um todo. Contra-argumentos ajudam a desenvolver ideias e pensamentos. Debates são saudáveis para o desenvolvimento.
Um servidor motivado trabalha mais e se empenha mais. Com isso gera mais e melhores resultados frutos do seu labor. Não adoece. Se sente satisfeito onde está e se sente parte da instituição. Fica com a mente sã. E isso faz todos saírem ganhando. O servidor feliz onde está. E o órgão, que estará em pleno desenvolvimento e saudável, já que o órgão é a soma dos seus servidores. Isso se torna um círculo vicioso. Servidor saudável, polícia saudável.


ps.: Isso foi um desabafo de alguns meses atrás que fiz numa redação para um curso interno.
pps.: Nem sempre tudo são flores. Na verdade, quase nunca.
ppps.: Isso é para aqueles que pensam que é tudo uma maravilha. Galera, essa fase minha passou. Mas tive que correr atrás. E recebi uns conselhos de uma certa Novinha (mulhernapolicia).
pppps.: Ah, tirei nota máxima nessa redação. Pra me gabar um pouco.

terça-feira, 24 de abril de 2018

A escolha das Vagas na Academia Nacional de Polícia - ANP

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Imagem do Teatro de Arena na Escolha de vagas. Não sei o ano, peguei a imagem no google. Se imagine aí!

Baseado na pergunta do Leandro Mota, falarei como funciona a escolha de vagas na Academia Nacional de Polícia - ANP.

Após quase todo o curso, restando algumas poucas aulas, mas nenhuma prova, acontece a famosa escolha de vagas da Academia Nacional de Polícia. As provas todas já ocorreram porque a escolha é baseada na sua colocação dentro da ANP. Ao chegarmos na academia, zera a nossa nota do concurso e todo mundo volta a ser igual. Vai de você estudar para ficar bem colocado e poder pegar uma vaga menos ruim, ou não. Há quem não esteja nem aí. Eu me preocupei!

Só vão para a academia as vagas que sobram do concurso de remoção do efetivo interno. Traduzindo: onde o efetivo não quer estar, são as vagas que sobram para os futuros novinhos. São muitas cidades que sobram. Desde São Paulo até Oiapoque. Se você é do Rio de Janeiro ou do Nordeste, saiba que vai demorar para voltar para casa. Sem querer ser estraga-prazeres.

Dentro da ANP você só tem ideia da sua colocação atual porque os próprios alunos vão fazendo uma lista com as notas de todos. Há quem se dá o trabalho de ir de sala em sala pegando nota a nota e montando uma planilha Excel. E nessa lista você sabe mais ou menos em que colocação atual você está. Não há lista oficial da colocação até chegar no dia da escolha. Isso é meio tenso.

As competição entre os alunos é acirrada e as notas são bem parelhas. Por exemplo, a diferença do 600° pro 1°, na minha academia, era de menos de 1 ponto. Então, bastam algumas notas menores que 9 para você começar a despencar. E não é fácil de se recuperar. Na verdade, é quase impossível.

Quando se está quase no final, para nós finalmente nos formarmos, reúnem todos os alunos no Teatro de Arena. É um lugar que cabe todo mundo. Nesse dia você pode levar o celular. Porque muita gente precisa falar com mulher, mãe, filhos para ajudar a escolher a melhor lotação inicial. Pela lista feita pelos alunos, dá para se ter uma ideia em qual cidade vamos parar, mas nunca é certeza. Por exemplo, quando eu estava lá havia rumores de que São Paulo, por ser uma capital cara de morar e de baixa pontuação (eu explico isso depois), seria uma das últimas lotações a serem escolhidas. Porém foi uma das primeiras.

Chegando no Teatro de Arena, ligam um projetor. Na tela: de um lado a lista das cidades com as respectivas vagas. Do outro lado a lista com os alunos ordenados por classificação. No meu caso eram quase 700 alunos. Faz-se uma fila com 10. Começa do zero um da academia. O cara mais bem classificado. Ele vai até o microfone, grita o nome, colocação e a cidade pra qual quer ir. Já entra o 11° na fila. Vai o segundo. Já entra o 12° na fila. E assim prossegue até o zero último.

Dura algumas horas esse processo.Se cada aluno demorar 30 segundos, são quase 6h de duração. Foi mais ou menos isso. Houve um intervalo para o almoço. Na hora das escolhas é bem divertido e descontraído. Tem aluno doido bem colocado, por exemplo, que escolhe tabatinga. Aí a galera grita, vibra. Mas acho que esse momento da escolha da lotação inicial é o momento que você tem que ter mais cuidado para não ir para um lugar muito ruim. Tem que ter em mente que ali será sua moradia por alguns anos. Ninguém sabe quantos. Logo, não dê uma de super herói. Escolha, caso tenha oportunidade, a melhor lotação possível. Todos serão policiais. Não vá na onda de alguns que dizem que para ser PF de verdade tem que ter passado por uma lotação horrível. Balela isso.

E quando termina o dia da escolha, tudo volta ao normal. Mas agora você sabe oficialmente para onde vai. Começará a procurar sobre sua lotação. Conversará com os professores que são lotados na sua futura cidade. E, mesmo que você tenha ido para um lugar "ruim", vá de mente aberta. Faça de lá o seu lar, que o tempo passará muito mais rápido e será muito mais divertido. Em todos os lugares do Brasil existe gente e coisas interessantes. Busque isso.

ps.: terminando de responder a pergunta do Leandro: Você só veste a camisa preta após estar empossado. A única coisa que você "ganha" do departamento é a arma, um notebook e o colete. O distintivo e a camisa você compra, se quiser. A primeira vez que vesti a camisa preta foi para um treinamento de tiro.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Aulas de tiro na Academia da Polícia Federal

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Aula de tiro na Academia da Polícia Federal - ANP

Mas a primeira semana é sem muita emoção pelas aulas. Nada de mais mesmo. Muita apresentação da academia e como ela funciona e algumas aulas teóricas. Mas mesmo assim é correria para todo lado, já que você é aluno e está começando a aprender como se portar e vai descobrir que 1 minuto é considerado atraso punível. Você não vai lembrar que uniforme usar no dia. Vai esquecer de fazer a barba ou esquecer de levar o boné. Tomará as famosas canetadas (cada uma tira um pouco da nota de conceito, o que pode mandar você, no final, para o quinto dos infernos - tipo Oiapoque).

Mas na segunda semana, com os alunos mais aclimatados com a academia, começam as aulas práticas e a tão esperada aula de tiro. Galera vibra demais pra ter essa aula. Acho que é a aula mais aguardada pela maioria dos alunos. Quem era das forças armadas e demais forças de segurança já não fica mais tão ansioso. Mas o resto fica bem apreensivo. Muitos nunca atiraram e já se imaginam o próprio Rambo.

Para ir e voltar da aula de tiro, o caminho é feito correndo. Sempre correndo. Mas não é longe. Uns 400 metros talvez. E a aula é no sol. É impressionante como nessa hora as nuvens somem e sol brilha forte. E os professores do Setor de Armamento e Tiro (SAT) gostam de falar. Os caras falam muito. E sempre no sol, nunca na sombra. Normalmente são duas horas por vez de aula. Então são bem cansativas. Ainda mais no sol (eu já disse que a aula é sempre no sol forte?).

Acontece muito de depois dessa aula de tiro ter outra, mas teórica, e grande parte da turma ter que lutar contra o sono e o cansaço. Principalmente se a aula de tiro é após o almoço. O cara sai do almoço, corre pro alojamento, toma banho. Não dá tempo de cochilar. Já se arruma, corre para a formação da tarde. Depois já corre para a aula de tiro. Ou seja, não descansou nada. Chega na aula teórica, 4h da tarde, quer morrer. Nem café dá jeito.

Ah, e você terá muita aula de tiro. Muita! Quando você cansar de atirar, ainda falta metade da academia. Vai atirar de pistola, revolver, submetralhadora, fuzil, bazuca, grana, estilingue, ar comprimido, funda e... opa, me empolguei. Só até a parte do fuzil. Eu não contei quantos disparos demos, mas os professores falaram que foram 1635 tiros disparados por cada aluno. Pensa aí. Multiplique por 700 alunos!

Já no final do curso, juro para você, as aulas teóricas que antes eram monótonas, parecerão muito mais atraentes que as aulas operacionais. Você não aguenta mais se sujar, correr, agachar, atirar, levantar, catar estojo, atirar, atirar e atirar. Só de falar nas aulas de tiro, ainda hoje, eu sinto o cheiro da pólvora.

Os professores são bons atiradores e a maioria tem uma didática boa. Tratam todos como se ninguém soubesse atirar. Isso é excelente. Fique sempre atento para não bisonhar e fazer besteira na linha. Limpe bem sua pistola. Terão aula disso também. E é algo que levará para sempre. Mais do que atirar na sua vida funcional, você limpará sua arma. 

Acho que era isso que eu tinha para falar sobre a aula de tiro.

ps.: Próxima postagem vou tentar falar sobre a aula de abordagem. É engraçado na academia todos treinando para a prova.
pps.: Ajudem aí dando ideias. :)

domingo, 1 de abril de 2018

A vida na ANP - Academia Nacional de Polícia

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Essa é A placa. Fecha os olhos e realiza!
Acabaram me perguntando no outro texto se eu podia dizer como foi a vida na ANP. E eu realmente não lembro de ter escrito sobre isso. Falei de algumas aventuras lá dentro, mas a vida em si acabei me esquecendo de falar.

A ANP é chatona! Pronto. Era tudo que eu tinha a dizer.

Zoeira. Não era tudo que eu tinha a dizer. Mas eu não tenho saudades daquela academia. Sério. E de todos os colegas para quem eu já perguntei, nenhum tem saudades. Temos saudades dos amigos feitos. Das brincadeiras, das farras e das federetes amigas. Essa última parte é zoeira.

Quando você chega, tem a famosa fila. Como eu fui um dia depois, evitei essa famosa fila. Sério, eu já tinha passado por uma fila na entrada da academia da PRF. Não precisava passar por mais uma. Mas a galera curte. Tem nego que dorme na porta da ANP no dia anterior à matrícula para ser o primeiro da fila, Eu acho doideira. Mas se você tá nesse espírito, vai lá. Mas aviso que serão muitas filas durante os 4,5 meses lá dentro. Fila pro vestiário, fila pro almoço, fila pro café, fila pra janta, fila para comprar material, fila para entrar de manhã no bloco das salas de aula, fila para entrar a tarde no mesmo bloco (já até esqueci a letra do bloco). Os blocos lá são identificados por letras.

Esqueci de dizer que tem uma placa na entrada da ANP, bem na entrada, que diz: Entrada para realização de um sonho (Alunos). Velho, essa placa é foda! Falo com lágrimas nos olhos. Porque quando você chega lá, realmente você nem consegue acreditar. Você olha para aquilo e diz: eu consegui. PQP EU CONSEGUI! E você respira fundo. Porque a sensação é surreal. E disso eu me lembro bem. Essa sensação de conquistar aquilo que você sonhou. Aquilo que você lutou. Essa sensação... ahhh faz tempo!!

Bom, depois que você chorou perante A placa e sobreviveu à primeira fila, a da entrada, vêm a fila para comprar material. Dessas filas eu só soube de relatos. Um amigo disse que chegou 8 da manhã na ANP no primeiro dia, e só conseguiu chegar no alojamento 4h da tarde. Eu cheguei 14h do segundo dia e 15h estava no alojamento. Então, evitei umas filas.

Você vai gastar uns R$ 600,00 em material lá dentro. Se não tiver dinheiro, a loja faz fiado e você pode pagar quando receber a bolsa. A bolsa, que é a parte mais legal, é equivalente a meio salário inicial do cargo que você está pleiteando. No caso de Agente, Escrivão e Papiloscopista está mais ou menos uns R$ 5900. Ela atrasa que é uma beleza. Eu não recebia a bolsa, já que estava licenciado para fazer o curso de formação. Eu recebia meu salário de PRF. Há essa possibilidade na legislação. Então não sofri com atraso e ainda recebia um pouco mais! Soube que atrasava por relatos também.

Basicamente sua rotina é acordar 6h da manhã, ir para o refeitório tomar café. Depois ir para a formação que tem toda manhã. As turmas cantam o brado e depois entram em fila. Não pode conversar, não pode sorrir, não pode piscar. Velho, eu já tinha passado por isso em outra academia de polícia, então já viu né! Mas tinha muita gente vibrando. E tem que vibrar mesmo. Eu que era chato de galocha! E tem gente desmaiando também, por ter ficado muito tempo parado em pé. Você vai estar lá e vai lembrar disso aqui que está lendo.

Depois você vai para aula. Tem uns que vão para a aula de educação física, uns para as aulas teóricas e outros para as aulas operacionais, que são várias e eu não vou lembrar de todas: Tiro, abordagem, direção operacional, vigilância - a melhor de todas para mim -, e outras mais). Essas aulas do turno matutino terminam por volta de meio dia. E você tem 2h pra almoçar e descansar. Nessa hora você pode fazer o que quiser. Tinha um amigo no alojamento que almoçava todo dia atum com miojo para não ter que ir para o refeitório.

Você volta à tarde, 14h. Em pé de novo. Brado de novo. Fila de novo. Sala de aula. Essas aulas terminam por volta das 17h e 30 min. Depois você está liberado. Alguns dias você tem aula até 19h, 21h e pode ter até mais de meia noite (alguns dias). E no sábado normalmente vai até meio dia. Você estará liberado para sair da academia a partir de sábado meio dia, podendo retornar até segunda pela manhã. Pode ir e vir durante o dia todo se quiser. Só não pode sair mais e nem entrar mais a partir das 23h. Se passar das 23h, só pode voltar 6h da manhã. E se ficar dentro, só pode sair após 6h da manhã. Consegui explicar?

ps.: Próxima postagem eu comento mais sobre as aulas e as primeiras semanas.
pps.: O que acharam? Comentem.
ppps.: Se não entendeu, baixa e já empurra a terra 10 vezes. E diz o que não entendeu.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Missão Policial Federal - drogas a caminho - Minha primeira vez!

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Recebemos a informação de que estavam chegando na cidade dois veículos suspeitos, que viriam especialmente para pegar drogas e levar para o sul/sudeste/centro oeste do Brasil. A informação era quente. Veio recheada de detalhes, informando qual eram os veículos, seus motoristas e possíveis localizações.

Equipes foram para a rua tentar localizá-los. Esses traficantes/mulas tem basicamente o mesmo modus operandi. Então, conhecendo o comportamento padrão deles e a cidade onde estávamos, fomos em busca dos possíveis locais que eles poderiam estar. Não foi rápido nem fácil localizá-los. A cidade é relativamente grande. Mas logo chegou uma mensagem do chefe da equipe: a equipe Alfa encontrou um dos veículos suspeitos. Opa, pensei, começou a ficar bom!

Sobrou para a minha equipe. eu e o outro colega, acharmos o segundo veículo. A possível localização era um estacionamento rotativo da cidade. Tínhamos que passar despercebidos e, por isso, entramos totalmente descaracterizados. Viatura velada, e nossos trajes super operacionais: bermuda, chinelo e camiseta. Demos uma volta para procurar e, pelas características que nos foi informada, lá estava ele. Enviamos uma mensagem para o chefe da equipe: Segundo veículo localizado. Pensei: dessa vez vai!

Abre parenteses
Mas o que acontece quando se localiza os veículos, você me pergunta! Prende, mata, esfola? Nada disso, meu incauto leitor. Precisamos dar o bote na hora certa. Feito uma cobra Naja. Precisamos ser precisos ou podemos queimar a missão por completo. Quando damos o flagrante, a droga tem que estar com eles. Não adianta fazer tudo certo e dar o bote na hora errada. Sem drogas, sem flagrante, trabalho perdido. Logo, nada de ejaculação precoce. Segurar a ansiedade e dar prosseguimento ao plano.
Fecha parenteses

Após localizar ambos os veículos, fizemos uma vigilância longa. Com várias equipes se revesando para não perdê-los de vista. Vigilância essa que teve direito a filmagens e fotografias. Tudo na surdina, sem levantar suspeita dos suspeitos (hein??). Essa parte, apesar de muito cansativa, foi bem divertida. Esse tipo de trabalho faz você se sentir "O Agente". Tipo o 007. É muito empolgante (pelo menos para o novinho aqui). 

Para quem pensa que é um trabalho rápido, quem dera! Tivemos que ficar em vigilância uns 5 dias. Durante um desses dias conseguimos filmar um dos veículos e o possível dono da droga dentro, além de conseguir ver o encontro dos alvos. Tudo certo. Agora já tínhamos o vínculo que precisávamos para ligar um ao outro.

E, no sábado, umas 20h, eu estava me preparando para ir para uma festa, arrumado, recebo uma ligação: APF do Norte, todos na base às 22h30min (adeus festa). O comportamento dos alvos indicava que eles já tinham pegado a droga e iam partir naquela madrugada. Eles, os malas, preferem trabalhar em dias de finais de semana, feriados e madrugadas, pela diminuição natural da fiscalização. Mas dessa vez eles se enganaram. Nós estávamos à espreita.

Os alvos haviam se encontrado algumas vezes naquele dia e o nosso analista previu: é hoje que eles vão sair da cidade. O comportamento era típico. Já devem estar carregados, disse ele. Uma equipe fica vigiando e a outra aguarda na base o comando de sair.

Minha equipe ficou na base aguardando. E aguardamos. E aguardamos. E aguardamos mais um pouco. Quando estávamos todos quase desistindo. Uns tinham se jogado no sofá, outros já estavam desarrumados só aguardando a ordem de desmontar. Eu e um colega já tínhamos saído para comprar lanche para todos. No meio do caminho, já voltando com os lanches, o chefe liga: os traficantes saíram! Aí sim foi um corre-corre. Voltamos voando para a base, equipamos com colete, fuzil, algemas, gás de pimentas e narcotestes. Pegamos as viaturas, eram duas, e partimos atrás.

Abrirei um outro parenteses aqui:
Nesse dia eu achei que ia morrer. Não de confronto armado, mas de acidente de viatura. O colega estava puxando 170 km/h. Falamos: Sério velho, deixa a droga ir embora mas não mata a gente não, beleza? Obviamente não foram essas as palavras. Foi algo do tipo: diminui essa porra caralho, tá doido é? Vai matar todo mundo. Acho que foi mais ou menos assim.
Fecha o parenteses.

Nós conseguimos alcançar o primeiro veículo. Estávamos nas viaturas descaracterizada. Então passamos por ele, como se nada tivesse acontecendo, e fomos em frente. Queríamos pegar os dois. Apesar da corrida com a viatura, não conseguimos alcançar o segundo veículo. Ele tinha saído mais cedo para ir olhando se não tinha fiscalização policial e acabou escapando. Essa nossa viagem tentando alcançá-lo deve ter durado por volta de 1h30min. Como tínhamos certeza de que os entorpecentes estavam no primeiro carro, resolvemos abordá-lo e informar a delegacia da próxima cidade que o segundo carro  tinha conseguido escapar.

Já era dia quando abordamos e mandamos encostar. Bem dia, sol quente. O motorista encostou sem resistência. Até achamos que ele estava tranquilo demais. Solicitamos verificar o interior. Ele não se opôs. Mal colocamos a cabeça para dentro e já encontramos os pacotes. Narcoteste feito, positivo para cocaína. Mais de dez quilogramas de cloridrato de cocaína, conhecido também como pó.

Liguei para o chefe da equipe e disse: pegamos. Finalmente pegamos! Grampo (algemas) no motora. Agora tinha o caminho de volta todo ainda. A equipe estava bem cansada. Após o colega que estava dirigindo a viatura em que eu estava quase sair da estrada cochilando de tanto sono, eu perguntei: quer que eu leve. Ele fez que sim com a cabeça, encostou e eu assumi a direção o resto do caminho.

Foi minha primeira vez. Tive que tirar uma foto com os entorpecentes apreendidos. Terminamos a ocorrência por volta de meio dia. Tinham sido horas de espera e acompanhamento. Tudo que eu queria era minha cama. Nesse dia eu lembro de ter ficado bem satisfeito com meu trabalho e bem cansado também. Tomei um banho e dormi. Nem lembro se almocei antes de dormir. 

E foi assim minha primeira apreensão de entorpecentes na Polícia Federal.

ps.: Sugestão para postagens, por favor!
pss.: Se você gostou, comenta aí. Se não, comenta também.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Mais uma missão contra o tráfico de drogas!

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Informação passada pela inteligência: traficantes vão fazer uma entrega numa fazenda X, de 40 quilos de cocaína/ pasta base. Objetivo da missão: Interceptar a droga e o comprador com o dinheiro, carro e tudo que puder mais. Busca e apreensão caso dê o flagrante.

E foi assim que começou uma das missões mais legais que já participei. Foram divididas uma equipe de vigilância e uma equipe de assalto. Eu fiquei com um dos rádios da equipe de vigilância.

Chegamos de carro a alguns quilômetros do local onde os compradores iriam buscar a droga. O restante iríamos a pé pelo meio do mato. Estava chuviscando. Isso é ruim pela sensação de ficar todo o tempo molhado. Mas é bom para chegarmos mais perto do alvo sem sermos notados, já que o mato molhado não estala e o barulho da chuva confunde quem tenta ouvir alguém se aproximando.

O local era uma fazenda no meio do nada. Cercada de mato e estrada de terra. Tinha uma casinha pequena no lugar, onde se acreditava estar o vendedor da droga e a droga. A inteligência nos passava pelo rádio as ligações em tempo real feitas pelo comprador com o vendedor.

O rádio também servia para comunicar com a equipe de assalto e avisá-los quando seria a hora de agir. Porém, chegamos de tardezinha no local. Ainda muito iluminado para chegarmos perto. A equipe de vigilância tentaria chegar o mais perto possível. Perto o suficiente para tentar ouvir a conversa dos traficantes. Para isso teríamos que aguardar a noite cair. E assim fizemos. Avisei no rádio: pessoal, não tem como chegar mais perto de dia. Vamos aguardar a noite para aproximar bem. Tivemos que esperar uns 40 minutos.

Ao cair da noite, começamos a nos mover novamente. Rastejando no mato alto, com todo o cuidado. O rádio ia no volume mínimo para que não fôssemos descobertos. Até a luz piscante do rádio eu tinha que tampar com o dedo para não nos denunciar.

Atravessamos um ramal (pequena estrada de barro) com todo cuidado, pois ali poderiam nos ver fácil, já que estaríamos momentaneamente sem a proteção do mato. Chegamos perto da cerca da fazenda, bem próximo a casinha. Podíamos ouvir as ligações do traficante com o comprador, que depois nos era passada pela inteligência. Mas ouvíamos em primeira mão, antes da inteligência nos passar, e começamos a manter a equipe de assalto atualizada.

Nessa hora temos que segurar a ansiedade, pois poderíamos perder tudo caso fôssemos precipitados. Tínhamos que esperar a droga e o comprador estarem juntos com os traficantes.

Nós estávamos parados bem perto de uma estrada a qual nem eu nem a equipe tínhamos visto. E foi um vacilo que quase nos custou a missão. Num certo momento o traficante mandou o outro pegar alguma coisa no fundo da fazenda. Chamá-lo-ei de Bilu. Bilu foi buscar algo e saiu caminhando na nossa direção. Foi quando eu percebi o quão próximo dessa estrada nós estávamos. Porque ele veio quase pisar na gente. Abaixamos as cabeças e torcemos para que ele não nos visse. Passou a menos de 1 metro de distância. Coração batendo na garganta. Bilu foi e voltou, mas não nos viu! Essa foi por pouco. Por muito pouco.

De repente começamos a ouvir barulho de carros se aproximando. Era a compradora. Chegou fazendo muito barulho, podíamos ouvir claramente o que ela queria: A cocaína. Nessa hora a equipe de assalto falou no rádio: vamos entrar! Pude perceber que eles também estavam bem próximos e ouviram a conversa, ou ela falou alto demais.

Eu falei pra equipe: segura, não sabemos se o traficante já pegou a droga escondida. Eles me escutaram e seguraram. Até que o traficante anunciou que estava com a cocaína em mãos, e perguntou para a compradora: - cadê o dinheiro? A compradora foi buscar no carro. E, nessa hora, antes mesmo da equipe de vigilância gritar para atacar, a equipe de assalto saiu do mato gritando: Polícia Federal, ninguém se mexe!

Pegamos a droga, o dinheiro, e recebemos muitos parabéns dos professores que estavam coordenando o exercício. Porque na ANP você também pratica como se fosse real. E foi bom demais. E percebemos que é muito mais tempo de preparação que de ação.

ps.: Sugestão de textos são sempre bem vindas.